Quando:
Um Presidente da República, alegando, a propósito do BES, que as informações de que dispunha do Banco de Portugal eram de que tudo estaria bem com a mesmo, vem, depois, ao verificar-se que, afinal, assim não era e procurando «sacudir qualquer água do capote», dizer (só não se sabe se com vontade de rir) que nunca falara do BES, mas, apenas, do Banco de Portugal;
Quando um Primeiro- Ministro, para justificar o não pagamento de contribuições para a Segurança Social por si devidas durante cindo anos, vem alegar que o não fez por não saber que a isso estava obrigado, como se à data fosse um qualquer analfabeto vivendo num qualquer recôndito lugarejo transmontano e não alguém com curso superior, ex-deputado com participação, nomeadamente, em discussões e votações sobre a Segurança Social, ex-dirigente partidário e vereador em autarquia da zona metropolitana de Lisboa;
Quando um Conselheiro de Estado, discordando da decisão dum Juiz recaída sobre um correligionário político seu, não sugere um recurso da dita, mas ameaça o dito Juiz;
Quando um deputado vem dizer que se sente envergonhado de algumas decisões em que participou na Assembleia da República;
Dirá bem, não do estado de degradação a que chegaram as instituições, que essas prevalecerão válidas como alicerces do regime democrático, mas dos personagens que as têm vindo a ocupar, direta ou indiretamente, por via do voto de cada um de nós!
*Advogado