Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, visitou o empreendimento Arcaya, em Vilamoura, que se diferencia pela abordagem de construção sustentável e boas práticas ambientais.
Uma «floresta abandonada» nos terrenos da Quinta do Morgadinho, em Vilamoura, no concelho de Loulé, foi o local ideal para a Bondstone, sociedade gestora de fundos portuguesa, começar a implementar, desde agosto de 2023, o Arcaya, um projeto residencial que quer liderar uma mudança de paradigma em matéria de construção no Algarve.
No uso da palavra, e perante a ministra do Ambiente e Energia, que visitou o empreendimento ao final da manhã de sexta-feira, dia 17 de janeiro.
Paulo Loureiro, CEO da Bondstone, explicou este é «um projeto que reflete a nossa visão para um desenvolvimento imobiliário sustentável, assente na preservação dos ecossistemas e do meio ambiente, na harmonia com a natureza e na eficiência energética. A sustentabilidade é o eixo central da nossa ação e da cada uma das nossas decisões desde o primeiro dia».
A seu lado, Frederico Pedro Nunes, Chief Development Officer (COO) da Bondstone detalhou os que está a ser feito de inovador.
«O terreno tem duas linhas de águas sazonais. E já havia um conjunto de infraestruturas, dois quilómetros de ruas» que foram adaptadas para uma gestão eficiente de água. É utilizada uma técnica de paisagismo para maximizar a infiltração natural, através da preparação do terreno para absorver e reutilizar toda a água da chuva, através de sistemas de reaproveitamento de águas pluviais nas ruas, nas três rotundas do empreendimento, bem como nas casas.
«A água é hoje uma necessidade premente. A ideia foi criar um projeto esponja, com capacidade de absorver toda a água. Nas ruas secundárias instalamos hidroboxes, caixas que podem guardar a água da chuva no subsolo e escoá-la lentamente», ajudando a manter o solo hidratado e a vegetação saudável.
À semelhança do que acontecia nas antigas casas tradicionais algarvias, que dispunham de cisternas, todas as vilas têm dois reservatórios. Um de três metros cúbicos (m³) «recebe as águas cinzentas que são tratadas e reencaminhadas para um segundo de 10 m³, que acumula também as águas pluviais para a rega de cada um dos lotes», minimizando a necessidade de ligação à rede.
A reflorestação é outro ponto forte. «Havia aqui uma floresta abandonada que não tinha tido tratamento» durante muitos anos. «Estamos a fazer uma regeneração florestal, a retirar espécies invasoras e trazer espécies autóctones», acrescentou.
Em números redondos, está previsto um aumento de 30% do número de árvores, através da plantação de 1.856 novas e da preservação de 2.225 árvores. O sistema de rega otimizado permite uma poupança de água na ordem dos 40% face a um sistema tradicional (gota corrente).

Mas, sublinhou Frederico Pedro Nunes, «isto também é um projeto imobiliário. O desafio era como aplicar todas as práticas de sustentabilidade e fazer casas com alto nível de qualidade». Para isso foram adotadas soluções como a ventilação natural cruzada, espaços interiores com duplo pé direito, coberturas verdes, pérgulas e painéis fotovoltaicos.
«As casas têm estrutura em madeira em vez de betão. Desta forma, reduzimos muito a pegada de carbono. Ao nível dos revestimentos, usamos materiais naturais e cerâmicos.
Partes das casas ou nalgumas delas, a totalidade, são construídas fora, em ambiente industrial controlado, minimizando o impacto no território, reduzindo substancialmente os resíduos e temos, através desta forma, um maior controlo de qualidade», concluiu o COO. Com 240 metros quadrados (m2) de área bruta de construção, cada tipologia é composta por dois pisos e até quatro quartos. E pode ser personalizada.
Paulo Loureiro, que também é vice-presidente da assembleia geral da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), considerou que o Arcaya tem sido «uma oportunidade para reforçar a importância da colaboração entre o sector privado e o sector público na promoção de práticas de construção mais sustentáveis no desenvolvimento imobiliário no Algarve, um processo que queremos liderar».
«Inovação e respeito pelo meio ambiente podem caminhar juntos. Espero que sirva de inspiração à criação do outros projetos similares no Algarve e em todo o Portugal. Acho que os poderes públicos têm que exigir ao privado este tipo de padrão», disse.
Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, corroborou. «numa região muito exposta às consequências da mudança do clima, este é um empreendimento imobiliário emblemático devido aos princípios que estão na base da sua conceção. Acho que os responsáveis políticos devem ser muito exigentes com os investidores para que projetos com esta excelência possam nascer à nossa volta. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui. Naturalmente, que aqui os conceitos estão aplicados num nível muito elevado, mas os mesmos princípios podem ser aplicados a outros segmentos da população, de recursos menores», considerou o autarca louletano.
Por sua vez, Maria da Graça Carvalho, engenheira mecânica de formação, disse aos jornalistas que «pode ser um exemplo para outros promotores seguirem, do ponto de vista do consumo energético, de poupança de água, de respeito pela natureza, pela biodiversidade, e com todos os processos ecológicos e ambientalmente corretos».
O Arcaya contará ainda com um Clubhouse com ginásio, wellness center, restaurante, espaço de coworking, concierge, e serviços essenciais para o quotidiano como mercearia, lavandaria e aluguer de bicicletas.







