Loulé recebe conferência sobre algarvios internados no maior hospital do reino, com base numa investigação histórica sobre milhares de doentes.
Luís Gonçalves Ferreira apresenta, no dia 21 de março, às 15h00, no Arquivo Municipal de Loulé Professor Joaquim Romero Magalhães, a conferência «Mantilha cor-de-limão e casacão de picote: louletanos e algarvios às portas do maior hospital do reino (Lisboa, c.1600-1755)», integrada no ciclo «LOULÉ na linha do tempo».
A sessão aborda a presença de naturais de Loulé e do Algarve entre os doentes internados no Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa, uma das principais instituições assistenciais portuguesas da Idade Moderna.
Fundado por iniciativa do rei D. João II, o hospital começou a receber doentes no início do século XVI e assumiu um papel central no sistema assistencial português da época, embora a composição da população internada permaneça ainda pouco conhecida.
A investigação, integrada num projeto de doutoramento em curso, analisa a composição social, os percursos individuais e a cultura material dos doentes internados. O estudo baseia-se numa amostra de 5.959 doentes e 14.548 bens móveis, procurando compreender as condições de vida e os contextos sociais destas populações.
A análise examina ainda as dinâmicas do internamento e a integração dos doentes em redes de mobilidade geográfica e de assistência formal e informal. Entre os casos identificados surgem dois naturais de Loulé e 39 oriundos do Algarve.
O estudo aborda também a indumentária das populações pobres e comuns no contexto da cultura das aparências do Antigo Regime, discutindo temas como vulnerabilidade social, distinção, civilidade e hierarquia, bem como o papel da mobilidade geográfica enquanto recurso de sobrevivência.
Luís Gonçalves Ferreira é licenciado em História pela Universidade do Minho (2017) e mestre pela mesma instituição (2019). Encontra-se a concluir o doutoramento em História Moderna com o projeto «Pobres, doentes e esfarrapados? Indumentária de pobres no contexto assistencial urbano do Porto e Lisboa (séculos XVII e XVIII)», financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e integrado no Lab2PT.
A investigação do historiador centra-se na história da indumentária, da pobreza e da cultura material, recorrendo a metodologias da história social, cultural e do género. Os resultados têm sido apresentados em artigos científicos, capítulos de livros e encontros científicos nacionais e internacionais.