Sentimos orgulho na obra que está presente hoje, passados que são 40 anos, e muito mais ânimo nos dá pelo legado que deixamos, quando de uma voz da «velha geração» recebemos parabéns «ao jornal pela sua importante e rebelde intervenção na imprensa e na vida algarvia», ou de um mais jovem que nos manda a missiva para toda a equipa do jornal «em particular a tua pessoa pelo forma muito profissional, séria, empenhada e persistente como tens liderado este projeto, o qual, mesmo num período de profunda crise conseguiste crescer com ainda melhor apresentação e reconhecida qualidade em conteúdos».
Os jornais de âmbito regional, aliás não temos em Portugal órgãos de comunicação de cariz nacional mas sim de distribuição por todo o território, pois não há um único meio impresso onde esteja espelhada a realidade do país mas tão só uma ou outra notícia esporádica, daí, na separação das águas, se ter designado de proximidade, como é o caso do «barlavento», os jornais de abrangência territorial definida pelo seu conteúdo editorial.
Um órgão de comunicação deve ser feito de referências, para que, quando o seu nome é objeto de menção, se lembre esta ou aquela secção, este ou aquele colaborador, esta ou aquela notícia.
O contrário é aquilo que se costuma designar por pasquim, onde a baixa qualidade e a importância dos seus conteúdos não têm relevância no dia a dia dos seus leitores.
É preciso encontrar um equilíbrio nos seus escritos, que gerem opinião, controvérsia e, acima de tudo diálogo, onde as partes intervêm, cabendo aos leitores uma participação ativa na análise e interpretação dos factos.
Porque toda a notícia tem sempre um lado onde estão os a favor e outro os contra. Mesmo quando o jornal denuncia tem o dever de ouvir ambas as partes.
A um jornal de proximidade compete, também, estar atento à vida que o rodeia e, no caso do «barlavento», é ponto de honra divulgarmos muito do trabalho que é feito por aqueles que não são notícia nos chamados «órgãos de comunicação nacional», porque merecem todo o incentivo para continuar.
Outro dos caminhos desta casa é procurar ir na frente da informação, dar antes de acontecer, prever. Temos conseguido alcançar esse objetivo, muito na secção «gramofone», onde um companheiro das lides sempre que nos encontra nos vai dizendo como é que nós três meses antes já anunciávamos o que ia ocorrer.
Com a humildade que me for permitida, deixem-me terminar esta crónica com uma dose de vaidade. O jornal «barlavento» tem orgulho de terem saído das suas fileiras alguns dos jornalistas que trabalham em grandes órgãos de comunicação.
Porque são respeitados e reconhecidos como grandes profissionais. Sentimos orgulho quando as pessoas que trabalham nesta casa, em todos os seus setores, ao se apresentarem como pertencendo ao jornal «barlavento» serem acolhidas com toda a simpatia e, acima de tudo, de forma respeitosa.
Um jornal não se faz apenas e só como uma pessoa, podendo é certo, haver sempre uma figura carismática, mas sem uma equipa a trabalhar de forma coesa e unida, a dar muitas das vezes mais do que lhes é possível, será difícil alcançar o objetivo final – produzir um jornal com qualidade que é referência na região do Algarve.