António Murta, candidato socialista, considera que a festa de inauguração do novo passadiço de Monte Gordo, no concelho de Vila Real de Santo António, na sexta-feira, dia 14, não passa de uma estratégia para «dar nas vistas, dar música à população, simular muita alegria, porque as eleições aproximam-se rapidamente».
A realidade, segundo referiu o socialista que fará oposição à atual vice-presidente da autarquia Conceição Cabrita nas próximas eleições de outubro, é que «tanta festa induz a pensar em finanças municipais saudáveis, mas a dívida que um dia» a população será «chamada a pagar, ultrapassa os 200 milhões de euros».
«Por outro lado, informa-nos o Tribunal de Contas que a obra não possui o obrigatório Visto, tendo o respetivo pedido sido devolvido à câmara municipal no passado dia 6 de julho, com o processo nº 486/2017. Ora, uma obra, inacabada e ilegal, como é o caso desta, não foi subsidiada pela Comunidade Europeia, significando que será mais uma dívida para o município em estado de pré-falência», garantiu.
Esta «ilegalidade», continua António Murta, envergonharia Almeida Santos, ex-presidente da Assembleia da República que foi um veraneante naquela praia e que passou a dar nome àquele passeio marítimo daquela localidade. «Com o Rumo Certo na gestão municipal, tudo faremos para solucionar esta questão com toda a transparência e com todo o respeito pela lei».
Em nota de imprensa, a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António afirmou que «a estrutura, que contou com um investimento de um milhão de euros, possui três quilómetros de extensão e constitui já o maior passadiço sobrelevado do Sotavento algarvio».
A segunda fase da obra inicia-se em outubro e consistirá no prolongamento daquele acesso até Vila Real de Santo António. Terá sete quilómetros.
Na mesma nota, a autarquia informou que, além de facilitar o percurso até ao areal, «o equipamento garante, este verão, o acesso a todos os apoios de praia existentes em Monte Gordo, que poderão funcionar normalmente até ao dia 15 de outubro. Após essa data, os concessionários terão até ao dia 8 de fevereiro de 2018 para demolir as antigas estruturas e proceder à construção das novas, que ficarão ao mesmo nível do passadiço e possuirão uma arquitetura uniformizada».
Para Luís Gomes, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, «este é o passadiço de todos: da população, dos agentes económicos e empresariais e dos que escolhem a baía de Monte Gordo para passar férias».
«Queremos, pois, a reafirmação daquela que foi a primeira zona balnear do Algarve e onde nasceu o turismo algarvio, nos anos 1960, com a construção do Hotel Vasco da Gama. O passeio marítimo obrigou a uma grande concertação, mas os bons resultados estão à vista», prosseguiu.
Ao nível ambiental, a autarquia garantiu ainda que será recuperado o cordão dunar da praia, enquanto as construções a implementar serão sobrelevadas, de forma a evitar o pisoteio, e obedecerão a materiais e projetos sustentáveis.
A reabilitação da praia de Monte Gordo junta-se ao processo de requalificação da frente de mar (calçadão), promovido pela autarquia e avaliado em 2,2 milhões de euros. O passadiço será comparticipado pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos e pela Agência Portuguesa do Ambiente.

