Mariana Leitão foi hoje eleita como nova líder da Iniciativa Liberal, com 73% dos votos e 27% de abstenção, tornando-se na quinta presidente do partido e na primeira mulher a ocupar o cargo.
Mariana Leitão sucede assim a Rui Rocha, que ocupou o cargo entre 2023 e 2025 e que tinha anunciado a demissão da liderança em 31 de maio, por considerar que o resultado obtido pela IL nas eleições legislativas tinha sido insuficiente.
Quando a vitória de Mariana Leitão foi anunciada no pavilhão de Alcobaça onde está a decorrer a X Convenção Nacional da IL, alguns militantes do partido bateram palmas e agitaram bandeiras, mas mantiveram-se sentados.
A nova líder da IL, Mariana Leitão, apelou hoje a que o partido deixe as disputas internas e vire a força «para fora», frisando que os adversários estão no «regime instalado» e «na máquina que eterniza a estagnação».
«Esta convenção marca o início de uma nova etapa. Uma etapa em que deixamos as nossas disputas internas e viramos toda a nossa força para fora. Porque os nossos adversários não estão aqui, estão no regime instalado», afirmou Mariana Leitão, no seu primeiro discurso após ter sido anunciada como nova líder da IL.
Leitão frisou que os adversários dos liberais «estão na máquina que eterniza a estagnação, na cultura do conformismo, no autoritarismo tímido que infantiliza os cidadãos e em todos os que vivem da dependência alheia e temem a liberdade».
«Portugal não vai mudar com remendos. Não vai crescer com mais programas públicos, subsídios temporários ou promessas de boas intenções. O país só mudará quando tivermos a coragem de fazer o que é estrutural: reformar profundamente o Estado e libertar o mercado de trabalho», disse.
Montenegro tirou medidas de «caderno de encargos do PS»
Mariana Leitão acusou o primeiro-ministro de apresentar medidas que «parecem tiradas diretamente do caderno de encargos do PS», desafiando-o a escolher se quer ser uma cópia de António Costa.
No seu primeiro discurso enquanto nova líder da IL, na X Convenção Nacional do partido, em Alcobaça, Leiria, Mariana Leitão considerou que, no debate do estado da nação, esta quinta-feira na Assembleia da República, o governo voltou a mostrar «que a tão prometida mudança afinal não passou de marketing político».
«O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reforçou, mais uma vez, que a AD, por si, não será capaz de trazer quaisquer reformas ou mudança para o país», considerou.
Para Mariana Leitão, «o momento das mudanças sérias e da ambição reformista é agora, não é no final da legislatura que se começa a mudar o país».
«O momento das propostas arrojadas é agora e, até agora, nada se viu. O chamado alívio fiscal vale quatro euros por mês. E, depois, não hesita a gastar 400 milhões de euros em despesa extraordinária para efeitos eleitoralistas», criticou, numa alusão à proposta de suplemento extraordinário para pensionistas aprovada esta sexta-feira em Conselho de Ministros.
A nova líder da IL acusou ainda a AD de fazer uma privatização da TAP «à medida do PS de Pedro Nuno Santos», de, na saúde, continuar «a grande promessa de mudanças que nunca chegaram» e, na habitação, só fazer «incentivos à procura, sem qualquer incentivo à construção».
«O primeiro-ministro apresentou um conjunto de medidas que parecem tiradas diretamente do caderno de encargos do PS. Subsídios, cheques disto e daquilo promessas vagas de investimento público, tudo menos reformas estruturais, tudo menos coragem política», acusou.
Para Mariana Leitão, «trata-se de uma cópia do modelo que já era seguido por António Costa».
«E chegou a hora de Luís Montenegro decidir se quer ser António Costa», desafiou.