Ouvido pelo «barlavento», o cabeça de lista do Partido Social Democrata (PSD) pelo círculo de Faro, apesar de reeleito, não esconde o descontentamento pelo resultado das eleições de 6 de outubro.
«Tão grande é a desilusão por não podermos assegurar o vencimento da nossa alternativa a nível nacional, como é o contentamento pelo facto de termos aumentado o número de mandatos e representatividade do Algarve e em particular por termos sido o único círculo eleitoral, a nível nacional, em que o PSD aumentou a sua representação», disse ao «barlavento» Cristóvão Norte, no rescaldo das legislativas de 6 de outubro.
«Isso traz-nos responsabilidade acrescida. O nosso programa é claríssimo. Foi transmitida de forma muito objetiva a todos os algarvios e tem três temas fundamentais: a saúde, com a construção do novo Hospital e a fixação de médicos na região; a mobilidade, com a aposta na ferrovia, a requalificação da EN125 e com a reinvenção do quadro regional para assegurar maior mobilidade a todos; habitação, que é a razão do turismo ter preços incomportáveis, que não permite que aqueles que têm magros salários consigam ter acesso à aquisição de habitação ou ao arrendamento», lembrou o deputado reeleito.
«Além disso, as questões que hoje se colocam com grande premência, designadamente aquelas que se prendem com as alterações climáticas, e em particular o acesso à água na região, o qual existe uma reflexão profunda e respostas urgentes. Sublinhamos ainda a importância do Algarve ter maior autonomia político-administrativa. Autonomia essa que entendemos ser vital para construir uma região mais forte, sólida, que diversifique o seu quadro económico, de modo a ser mais resiliente, criar mais emprego e oportunidades para todos e, desse modo, uma região mais inclusiva», frisou.
«É para isso que julgo que os algarvios nos ofereceram a sua confiança. Essa é uma oferta que vem com uma responsabilidade tremenda e é essa responsabilidade que contamos honrar», disse.
Questionado sobre a vitória do Partido Socialista e também acerca dos níveis de abstenção, Norte considera que «o quadro nacional, obviamente, tem grande significado. Há uma franja significativa de eleitores que vota em razão das suas opções nacionais ou, em regra, por ter uma simpatia particular, por uma determinada força partidária. Portanto, não há um conjunto alargado de eleitores que ponderem o seu voto à luz das questões eminentemente das regiões. Porque, obviamente, que estes quatro anos não foram coroados de êxito, para o caso do Algarve».
«É um facto que houve crescimento económico e que houve descida de desemprego, mas já vinham de 2013 no Algarve. Não se pode dizer que tenha sido mérito do governo, ou que o governo, em relação ao Algarve, tenha feito algo estrutural que tivesse permitido esse resultado, mas há um quadro nacional que condiciona a votação regional», considerou.
No caso da votação regional, para Cristóvão Norte, «o que se pode verificar é que há um número muito sensível de pessoas que, ainda assim votaram no PSD, atribuindo-nos três mandatos. Temos essa responsabilidade e faremos por dar expressão a essa responsabilidade».
Por outro lado, o deputado nega que haja uma aproximação do PSD ao PS na próxima legislatura, pelo menos, por agora.
«A nossa posição é muito simples em relação a isso, temos um projeto de sociedade, que do meu ponto de vista é irreconciliável com alguns pressupostos do projeto do PS. Portanto, ainda que, ocasionalmente possam haver questões estruturais que devam ser tratadas de regime, não vejo condições para que o PSD e o PS celebrem qualquer acordo. Aliás, parece-me óbvio e notório o sentido do eleitorado que esse acordo tenha, necessariamente, de ser celebrado à esquerda. Veremos quais serão os resultados finais que isso também é importante para saber qual o modelo a adotar», concluiu.