Miguel Pinto Luz, cabeça de lista da AD Algarve, esteve ontem em Faro, numa sessão onde apresentou todos os candidatos da força política pelo distrito e as principais prioridades: saúde, transportes habitação e água.
Não teve problemas em apelidar-se de «paraquedista» por não ser natural do Algarve, mas assegurou estar «absolutamente focado» na missão de encabeçar a candidatura da Aliança Democrática (AD) pelo círculo eleitoral de Faro às próximas eleições legislativas marcadas para dia 10 de março.
Miguel Pinto Luz, atual vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, apresentou todos os membros que compõem a força política na região, bem como as principais linhas orientadoras da Coligação que une o Partido Social Democrata (PSD), o CDS – Partido Popular e o Partido Popular Monárquico (PPM), ao final da tarde de ontem, no Museu Regional do Algarve, em Faro.
No uso da palavra, garantiu que os problemas da região estavam identificados e que as prioridades da força política, que serão bandeira da campanha eleitoral que se segue, são a saúde, transportes, habitação e água, num programa pensado «para os algarvios que estão esquecidos há décadas».
«Temos de pôr o turismo ao serviço dos algarvios»
Segundo Miguel Pinto Luz, a AD Algarve tem «repostas concretas» para os principais problemas apontados pela força política na região, sendo que muitas delas começam por «permitir a reconciliação dos algarvios com o turismo e que esse seja o motor» para os 16 municípios.
« Este Algarve de contrastes sociais gritantes tem de acabar. Sabemos que o turismo do Algarve traz muita riqueza a Portugal, mas pouco ou nada fica cá para resolver estes problemas. Ficam desigualdades, conflitos e competição. Mas que região é esta que construímos? Sobra tão pouco para garantir aos algarvios as legítimas condições mínimas», disse.
Nesse sentido, e com propostas já feitas à AHETA – Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, «que já nos deu a sua adesão, queremos pôr o turismo ao serviço dos algarvios e garantir que fica cá riqueza. Temos de criar independência regional até porque temos as armas necessárias e suficientes para resolver estes problemas», apontou referindo-se às 20 milhões de dormidas registadas na hotelaria do Algarve em 2023.
Com estas receitas, e para o sector dos transportes, «seria possível garantir um passe de transportes multimodal para a região, porque as deslocações aqui não são fáceis e é difícil termos transportes para todos. Mas também continuar a exigir investimentos a Lisboa, como na ferrovia», apontou o social-democrata.
E não só, «com estas receitas turísticas também podemos garantir a todos os algarvios telemedicina em medicina geral e familiar e pediatria para todos os homens, mulheres e filhos desta região, disponível 24 horas, sete dias por semana e 365 dias por ano», nas palavras de Miguel Pinto Luz.
Além disso, para o cabeça de lista, o turismo pode também «ajudar de sobremaneira à habitação. Não estamos a reinventar a roda por exigirmos ao sector que invista em coisas que não tenham que ver também com a sua atividade quotidiana. Ainda hoje ouvimos que a hotelaria tem uma enorme dificuldade em atrair talento em recursos humanos porque não há sítios no Algarve para eles morarem, porque têm uma enorme dificuldade no acesso aos cuidados de saúde e a transportes públicos. Ninguém consegue deslocar-se com qualidade nesta região. Isto são temas que tocam o turismo, mas também todos os algarvios», referiu.
No que toca a este sector, de acordo com o autarca de Cascais, «temos capacidade de gerar receitas com o turismo que permitam fazer uma promoção internacional do destino que hoje não consegue, que anda a contar tostões para conseguir os grandes eventos internacionais cá. Com estas receitas, seria possível pagarmos uma promoção internacional do Algarve como nunca até hoje foi feita. Não quero o turismo a contar tostões, quero o turismo com capacidade de investir em promoção internacional e capaz de atrair grandes eventos», apontou.
«Não aceitamos que o Algarve seja só lembrado em agosto»
Sobre as duas últimas semanas em que tem estado no Algarve, Miguel Pinto Luz afirmou-se «deveras preocupado com o cenário em que o PS deixou» a região.
«Pior que ser pior que o país, é injusto para uma região que tanta riqueza distribui pelos portugueses. Lembro-me bem, nos tempos da Troika, o contributo nacional que o Algarve deu, o crescimento do turismo algarvio, das exportações agrícolas algarvias, do esforço de todos para a recuperação nacional. A AD não se esqueceu e a AD Algarve jamais abandonará aquilo que são os nossos compromissos. Não aceitamos que o Algarve seja usado e abusado, seja lembrado em agosto e esquecido em todos os outros meses do ano. Exigimos justiça e solidariedade nacional. Solidariedade recíproca, que o Algarve sempre teve em todos os momentos da nossa história», anunciou no uso da palavra.
Ainda assim, o cabeça de lista também deixou críticas aos autarcas regionais. «Sendo paraquedista, assisto aqui hoje a uma enorme divisão e dispersão. Parece que são 16 quintas, associações em que umas estão a proliferar, umas estão atrás das outras e em concorrência permanente. Temos de juntar vontades, porque os algarvios divididos são menos votos para combater o que é preciso combater e para exigir o que é preciso exigir. Cá dentro vemos tantas guerras, tantos conflitos. Não podemos pensar em 16 quintas, com concelhos super ricos e que não ajudam aqueles que precisam mais de solidariedade e que têm menos capacidade de investimento», criticou.
Voltando ao tema da saúde, uma das prioridades da força política no distrito de Faro, o social-democrata pediu que se «enterrassem os dogmas ideológicos» e que se utilizasse «toda a capacidade instalada no sector privado, público e social para garantir a todos os portugueses uma saúde de qualidade, sem listas de espera, sem uma saúde para ricos e uma para pobres. Temos de resolver este problema. A primeira pedra do Hospital Central do Algarve foi lançada em 2008, há 16 anos, e nada foi construído. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) não funciona aqui, temos algarvios, pasmem-se, que têm de ir a Sevilha ter tratamentos oncológicos. Esta é a realidade da saúde no Algarve, a tal joia da coroa com o turismo, os 15 por cento do PIB nacional. Não admitimos um SNS que não funcione e temos de apostar numa saúde no Algarve que funcione», assegurou, lançando ainda duras críticas a Jamila Madeira, ex-secretária de Estado Adjunta e da Saúde e cabeça de lista do PS no círculo de Faro.
«Esta algarvia de gema, em que o sangue é mesmo algarvio, parece ter-se esquecido disso enquanto lá esteve. Provavelmete o PS vai prometer que desta vez é que é e que os portugueses podem estar descansados. Acho que os algarvios já não acreditam», apontou.
«Nada funciona» em Portugal
Também o líder do PS foi alvo de críticas por parte de Miguel Pinto Luz no seu discurso, nomeadamente no que toca aos impostos e à educação.
«A esquerda deixou-nos um um país em que nada funciona. Pedro Nuno Santos perguntava nem debate o que é que não funciona. A resposta é clara: não funciona nada. Aliás, só há uma coisa que funciona até bem de mais, a máquina fiscal, onde mais de metade dos nossos rendimentos são absorvidos por esta máquina avassaladora que, se no final do dia nos oferecesse serviços públicos de qualidade, até aceitaríamos, porque acreditamos na geração da riqueza e numa redistribuição justa, mas não é isso que acontece. O que vemos hoje é um país de mão estendida aos subsídios e terá de ser a AD, mais uma vez, a salvar o país. É urgente libertar as famílias desta asfixia fiscal», referiu.
«Não quero uma escola pública como a que temos hoje, que não garante uma igualdade social. Não quero esta escola socialista focada em perguntar aos meninos se querem ser meninas e às meninas se querem ser meninos. A perder tempo se discutimos se as casas de banho devem ser mistas ou não. Essa não é a escola que garante a todos uma igualdade social», disse ainda.
E dirigiu-se em particular a Artur Gomes, presidente da Juventude Social Democrata do Algarve (JSD) e número oito da lista, sendo o candidato mais novo. «Os nossos jovens dificilmente podem ambiciona mais do que um simples quarto e o acesso à saúde universal. O sonho, a ambição e o futuro são, simplesmente, lembranças do passado. Nestas eleições legislativas decidimos o futuro do país e só nós, só a AD, o pode garantir», ressalvou.
«Se a água está a norte e os algarvios precisam, vamos exigi-la»
O tema da água também mereceu destaque no discurso do autarca de Cascais. «Exigimos justiça e solidariedade nacional. A solidariedade tem de ser nacional, se a água está a norte e se os algarvios precisam dessa água, vamos exigir essa justiça e essa solidariedade nacional», defendeu.
«Temos tido anos cada vez piores, mas que o PS foram empurrando para o lado à espera que a chuva viesse, sem resolver um único problema. Zero. São oito anos de um esquecimento absoluto. Hoje, vemos este problema da água e à última da hora o governo está a tentar solucionar esta questão a no Algarve. Isto é absolutamente inaceitável. Há investimentos de ontem que já estavam atrasados. Temos de agir e não podemos ignorar», disse ainda
E apontou linhas de ação: «temos de resolver as perdas da rede pública que são críticas e cabe ao Estado garantir que todos os municípios tenham capacidade de acesso a isso mesmo. Temos de atacar, com urgência, esses investimentos nas perdas da rede pública. Temos de instalar a dessalinizadora. O futuro da água passa por esta multiplicidade de soluções, não apenas uma. Temos de construir as barragens prometidas e os transaves que há tanto estão prometidos e que são essenciais à agricultura. Temos de investir em sistemas de reaproveitamento de água. É um investimento forte, mas não é nada que não seja justo para esta região».
Já sobre o aumento do preço da água na região, o social-democrata assegurou: «estamos absolutamente empenhados em dizer que não alinhamos nestes aumentos fora de tempo», falando também por Rogério Bacalhau, Francisco Amaral e José Carlos Rolo, presentes na cerimónia.
Montenegro «precisava que eu ajudasse o Algarve»
No final do seu discurso, ao final da tarde de ontem, Miguel Pinto Luz quis deixar claro que está «motivado para esta luta, para fazer diferente. Vamos ser ambiciosos e vamos consubstanciar com critério, rigor, trabalho e amor por esta região. Posso ter sido apelidado de paraquedista. Não sou algarvio. Mas garanto-vos que o AD Algarve não vai descansar um segundo. Estou cansado, mas cheio de energia. Garanto-vos que será um mês de campanha nas ruas, porta a porta, esquina a esquina, freguesia a freguesia, escola a escola, empresa a empresa, a dizer aquilo que precisamos», assegurou referindo-se à campanha eleitoral dos próximos 30 dias.
Antes de terminar, o cabeça de lista deu ainda nota que Luís Montenegro, presidente do PSD, «deixou muito claro que precisava que eu ajudasse o Algarve e deu-me liberdade para desenhar um programa de políticas para os algarvios que são esquecidos há décadas. Avançámos dede a primeira hora e este Algarve de contrastes sociais gritantes tem de acabar», concluiu.
