António Miguel Pina: «irresponsáveis não podem estragar tudo»

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Durante a conferência de imprensa da Comissão Distrital de Proteção Civil, que teve lugar esta manhã em Loulé, António Miguel Pina e José Apolinário afirmaram que a região está preparada para receber os turistas na época balnear que se avizinha, mas pediram responsabilidade e consciência aos jovens.

«Há um trabalho que é feito por todos na região, e que tem sido determinante. Os algarvios podem orgulhar-se do trabalho que tem sido feito na região, que se sobressai a nível nacional». Foram estas as palavras que António Miguel Pina, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, utilizou para abrir a sua intervenção na conferência aos jornalistas, na manhã de sexta-feira, dia 5 de junho, nas instalações do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Loulé.

«Isto deixa-nos uma esperança que a retoma da economia pode estar mais próxima ou que podemos avançar um pouco mais até que outras regiões, mas sempre com um sentido de responsabilidade grande», afirmou.

Para o também autarca de Olhão e presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, o sucesso da próxima fase de desconfinamento, já com a abertura da época balnear, marcada para amanhã, sábado, dia 6 de junho, só resultará «se continuarmos a saber comportarmo-nos como até aqui. Vamos começar a época balnear com muito esforço de todos, com muito esforço das autarquias e dos seus concessionários. É um trabalho de todos os atores da região».

A certeza, nas palavras do presidente, «é que a fiscalização vai estar presente. Não podemos deixar que aqueles cinco por cento de irresponsáveis, estraguem o trabalho dos outros 95 por cento».

Nesse sentido, «pedimos um esforço à faixa etária dos jovens. É preciso que durante o verão, aqueles que queiram aproveitar as férias e saborear a vida, sejam conscientes. Vamos estar atentos e em alerta», garantiu.

«Queremos manter esta ideia de que o Algarve é um destino livre de COVID-19, para melhor transmitir esta mensagem de segurança aos nossos principais mercados de animação turística. Mas este COVID free faz-se do trabalho de todos, de regras e da manutenção desta consciência cívica, porque é preciso manter esta mesma dinâmica de estarmos preparados, conscientes e alerta», acrescentou Pina.

Para os turistas, nacionais ou internacionais, o Pina deixou também uma mensagem de segurança: «venham de férias. Preparámo-nos para vos receber e estamos também vigilantes para aqueles que forem menos responsáveis».

José Apolinário: «estamos com total controlo da pandemia na região»

Por sua vez José Apolinário, secretário de Estado das Pescas nomeado pelo governo para gestor da situação de calamidade no Algarve, também usou da palavra. Até ao momento, segundo o governante, «já foram analisados 30 mil testes, onde sete por cento da população residente já foi testada, contabilizando 78,5 por cento de taxa de recuperação. Vivemos momentos com confiança, com determinação e responsabilidade».

Apolinário quis sublinhar ainda que nos últimos dias, «houve um enorme esforço das autarquias em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Autoridade Marítima Nacional e com a Direção-Geral da Saúde, para criar condições para a abertura da época balnear».

Na opinião do secretário de Estado, «o Algarve é um dos melhores destinos do mundo, em termos de sol e praia e está preparado para acolher todos os turistas nacionais e não nacionais. Estamos de braços abertos para os receber».

Apesar disso, o governante reforçou o um apelo de responsabilidade aos mais jovens.

«Precisamos de ir abrindo a atividade económica, fazendo o desconfinamento, mas este não é o tempo das festas de rua. Quero apelar aos mais jovens para uma contribuição enquanto agentes de saúde pública para que a natural alegria de viver, seja também um nível de responsabilidade».

Por fim, Apolinário voltou a sublinhar que a pandemia «está controlada. Podemos manter este nível de resposta dos serviços de saúde, mantendo a abertura da economia. Estamos a fazer com todas as entidades um esforço coordenado para manter este registo. Estamos a trabalhar no ponto de vista preventivo, com responsabilidade e com confiança».

Delegada de Saúde Regional pede cautela no uso de esplanadas

Ana Cristina Guerreiro começou por referir que neste momento, a pandemia «está numa fase estável» no Algarve.

No entanto, «uma vez que nos encontramos em fase de desconfinamento, gostaria de alertar para as pessoas não utilizarem excessivamente estas novas possibilidades, como esplanadas. Tenho recebido queixas de cidadãos contactos de uma ponta a outra da região, a pedir, a fazer um alerta, para que as pessoas não fiquem muito próximas uma das outras, que às vezes é isso que se verifica nestes estabelecimentos. As pessoas têm o direito de ficar sem máscaras nas esplanadas, mas deverão cumprir o distanciamento de modo a que não haja facilidade de contágio», disse a delegada de Saúde Regional de Saúde do Algarve aos jornalistas.

Paulo Morgado, presidente do concelho diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, reforçou a mensagem.

«Esta é uma situação extraordinária e o risco de surgirem novos casos continua a existir e vai continuar a existir durante os próximos meses. É bom que tenhamos todos esta perceção. Isto leva-nos a ainda mais a termos uma atitude responsável enquanto comunidade e a respeitar aquilo que são as regras que estão definidas», lembrou.

Morgado apela ao cumprimento das regras como «o uso de máscaras e o distanciamento, fulcral para aqueles que estão no Algarve e que nos visitam. Se todos cumprirmos o que está determinado obviamente que os serviços de saúde terão menos trabalho. Todos temos a ganhar enquanto cidadãos, enquanto empresas e enquanto comunidade».

Paulo Morgado e Vítor Vaz Pinto.

Para a nova época balnear que se avizinha, Morgado deixou uma mensagem. «Ninguém quer voltar atrás e a uma fase de confinamento. Para que isso possa acontecer é necessário que exista um sentido de responsabilidade que tem de ser passado e que a comunidade tem de assumir. Vamos ter fluxo de visitantes e vão-se abrir fronteiras, mas as regras são as regras e devem ser cumpridas por todos. Se todos forem responsáveis conseguimos minimizar o número de casos e os contágios que poderão acontecer».