«Qualquer evento em Odiáxere que traga muita gente será positivo para o comércio local, para os restaurantes e cafés. A nossa principal luta é dinamizar a economia desta freguesia e contribuir para que a nossa terra seja falada por bons motivos», afirmou ao «barlavento» o autarca. Para já, entre risos, apenas promete que «surgirão por aí umas surpresas» no corso carnavalesco.
«Isso ainda é segredo», limitou-se a dizer Carlos Fonseca ao ser questionado sobre a possibilidade de surgir algum tema picante, com sátira política em tempo de crise económica e social, ou mais carros alegóricos no desfile, que terá lugar no recinto junto ao moinho.
«Espero que o corso esteja com melhor composição e que haja mais adesão do que no ano passado. É certo que também contam muito os tempos difíceis que passamos e decorar um carro custa muito dinheiro. Cada grupo decora o seu, mas desconheço valores. O Clube Desportivo de Odiáxere, que organiza o Carnaval, cede algum material, mas tudo depende da vontade e iniciativa dos participantes», referiu o presidente da Junta.
Colocando o dedo na ferida, o autarca de Odiáxere acabou por lamentar que «as pessoas estão essencialmente desmotivadas perante a crise e falta de dinheiro, e isso reflete-se em tudo. O Carnaval de Odiáxere em 2014 não fugiu à regra. Notou-se essa desmotivação e uma ligeira pobreza nos trajes e nas decorações».
Ainda assim, acrescentou, que espera que 2015 seja diferente, pois se «participassem dez carros no corso já não seria mau. Depois, geralmente aparecem aqueles carros espontâneos, com figurantes, que, claro, também têm a sua graça. A Junta de Freguesia também vai disponibilizar um carrinho, mas garanto que ainda não sei qual será o tema».
Procurando incentivar a organização e todos os que colaboram com o evento, Carlos Fonseca até admitiu que, no futuro, será possível o Carnaval de Odiáxere tornar-se uma atração turística ao nível do Barlavento algarvio, onde, de resto, já criou raízes. «Poderá ser, se for bem planeado e trabalhado. De resto, o Carnaval está no ADN da nossa população. E Odiáxere sempre teve bom Carnaval», sublinhou o autarca.
Por outro lado, apesar do presidente da Junta ainda não saber qual será o seu orçamento para 2015, tem certezas sobre o que pretende fazer. Com uma contabilidade muito à justa, pensa que o valor disponível será pouco mais do que o do ano anterior e a Junta continuará, em grande parte, dependente das receitas fiscais.
«De resto, quando me candidatei, sabia que os tempos são muito difíceis em termos financeiros e que, à partida, com um orçamento muito reduzido teria de manter o que existe, em vez de pensar em obras. E manter o que temos, custa muito dinheiro no que respeita à rede viária. Há muitos caminhos que têm de ser reparados e essa é a nossa luta. Contudo, continuo a bater na mesma tecla: para mim as pessoas são mais importantes. É para elas que temos de estar voltados nos tempos difíceis que atravessamos», frisou ao «barlavento».
Nesse contexto e numa freguesia onde o desemprego, os casos de pobreza e fome têm aumentado, como destacou o autarca em entrevista ao «barlavento», publicada na semana passada, Carlos Fonseca lançou um repto à comunidade estrangeira residente no Vale da Lama e Meia-Praia para promover investimentos que possam permitir a criação de postos de trabalho.
«Gostaria de ver os estrangeiros aqui residentes mais voltados para esta freguesia, em termos de investimentos. Poderiam garantir trabalho à população de Odiáxere. A criação de unidades de turismo rural, por exemplo, poderia ser uma boa iniciativa», apelou ainda.
Circular sul de Odiáxere ficou na gaveta
O processo coincidiu com o buraco financeiro na empresa pública Estradas de Portugal, «ainda num dos governos de José Sócrates», recordou o presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere Carlos Fonseca acrescentando que, com Passos Coelho como primeiro-ministro, «o projeto ficou posto de parte».
Ou seja, hoje, segundo o autarca, o projeto da construção de uma variante à EN 125 a sul de Odiáxere, que previa estabelecer a ligação entre os Palmares e a zona do Clube Desportivo, «ficou literalmente na gaveta. O processo coincidiu com o tal buraco financeiro detetado na empresa pública Estradas de Portugal, ainda num dos governos de José Sócrates. E depois de Passos Coelho ter chegado ao governo, o projeto ficou posto de parte», referiu.
Este investimento, reclamado há vários anos, iria escoar o trânsito do interior da localidade e promoveria a hotelaria e a restauração da zona dos Palmares e Meia-Praia, criando um acesso fácil para os turistas.