A economia portuguesa vai crescer 1,6% este ano e 2,1% no próximo, de acordo com as previsões do Banco de Portugal divulgadas hoje no Boletim Económico de outubro, que representam uma revisão em baixa face a junho.
Em junho, o Banco de Portugal projetava um crescimento de 2% este ano e 2,3% em 2025.
«O crescimento da atividade em 2024 é sustentado pelo consumo privado e pelas exportações», indica o banco central, enquanto a «aceleração em 2025–26 reflete o contributo do consumo e melhores perspectivas para o investimento».
Para 2026, o Banco de Portugal prevê um crescimento de 2,2%, o mesmo que no Boletim de junho, indicando que «a maior sustentação do crescimento na componente do consumo privado é menos virtuosa para a sustentabilidade da economia portuguesa».
Já no que diz respeito à inflação, esta «reduz-se para 2,6%, em 2024, e fixa-se em valores consistentes com a estabilidade de preços nos anos seguintes», indica o banco central no Boletim Económico de outubro.
O mercado de trabalho, por sua vez, «continua a evoluir favoravelmente, com aumento do emprego ― de 1,1% em 2024, 0,6% em 2025 e 0,9% em 2026 ― e dos salários reais ― de 4,6% em 2024, 2,2% em 2025 e 2,0% em 2026».
Os riscos inerentes a estas projeções são «equilibrados», sendo que a «resistência da economia aos choques recentes é reflexo do progresso verificado na redução de desequilíbrios macroeconómicos e outras fragilidades estruturais».
Ainda assim, «no futuro próximo, haverá desafios importantes ― associados às transformações tecnológicas, às alterações geopolíticas e à gestão da transição climática», alerta o Banco de Portugal.
Por outro lado, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, alertou para o crescimento da despesa pública corrente, que está a subir «como não aumentava em muitas décadas».
Foto: Bruno Filipe Pires