Bolinhas do Carlos são grátis amanhã para dar boas-vindas ao verão

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Como já é tradição, haverá bolos grátis a todos na sexta-feira, dia 31 de maio, na fábrica em Moncarapacho. Uma antestreia do novos sabores que serão vendidos na maioria das praias entre Fuseta e Lagos.

Para a época balnear que se avizinha, Carlos Cipriano, 49 anos, um dos pasteleiros que mais se dedica à produção das tão apreciadas «bolinhas» que se vendem nas praias do Algarve, tem novidades prestes a saírem do forno.

Na sexta-feira, dia 31 de maio, às 21h30, e como já é tradição, todos os que forem à fábrica da «Bolinhas do Carlos», em Moncarapacho, poderão comer bolas de berlim à descrição, sem qualquer custo. Quem preferir levar para casa para partilhar com a família e amigos, pagará apenas 0,85 cêntimos por unidade. No ano passado, mais de 1000 pessoas marcaram presença.

«Todos os anos apresentamos algo de novo. O truque é conseguir encontrar sabores que nos agradem, que conjuguem com a bola e que nos garantam qualidade apesar da alta temperatura da praia», começa por explicar ao «barlavento».

Verão no Algarve é sinónimo de calor e calor é sinónimo de praia, mas o prazer de um mergulho e de sentir os pés na areia só fica completa quando se reponde ao pregão: «olha a bolinha!».

Carlos Cipriano, autor de várias receitas, prepara-se para estrear os sabores cúrcuma e tinta de choco. Assim, tem já seis opções nas massas e 11 recheios diferentes: creme de pasteleiro (clássico), chocolate, chocolate branco, avelã, mirtilo, maracujá, limão, coco, kiwi, morango e maçã, a favorita do pasteleiro. Apesar de tanta escolha possível, a opção clássica continua a liderar as preferências dos veraneantes. Em relação à clientela, Carlos Cipriano não tem dúvidas. «A força disto são os portugueses. Os estrangeiros não são muito fãs. Os ingleses chamam-lhes donuts. Os espanhóis já vão pegando e os poucos franceses que consomem, optam sempre pela de chocolate», diz.

O negócio, contudo, não tem corrido mal. Este verão, as suas bolinhas serão vendidas em «90 por cento das praias entre Fuseta e Lagos».

E mais. O empresário é sensível ao problema da sazonalidade, e desde há dois anos que tenta «inverter o paradigma» do pico do consumo no verão.

Para isso, abriu o «Marieta’s» café, padaria e pastelaria, na EN125, entre Olhão e a Fuseta.

Durante o inverno, por dia, vende cerca de 70 bolas, valor que segundo o proprietário só é conseguido «porque temos nome e somos conhecidos, porque, de outra forma, nem 10 se venderiam», admite.

Mas, nesta altura do ano, o consumo já ultrapassa as 100 bolas / dia. «A maior parte das pastelarias nem consegue alcançar esse valor de vendas no total dos bolos», compara.

12 mil bolas por dia

Desafiado pelo «barlavento» a avançar números, Carlos Cipriano responde que as suas bolas de berlim são produzidas numa fábrica situada no Sítio do Laranjal, na sua freguesia natal.

Durante a época alta, saem do forno cerca de 12 mil bolas por dia, entregues aos 70 clientes da marca, que as distribuem nas praias, pastelarias, supermercados e até em hotéis de cinco estrelas.

O segredo do sucesso? «Utilizar boas matérias-primas e trabalhar certinho. Às vezes pedem-me as receitas. Eu digo que dou, sem problema, porque o segredo não é a receita. O segredo é mesmo usar produtos de qualidade, mas ninguém acredita!», refere o algarvio, que não cede ao lucro a qualquer preço.

Em boa verdade, o pasteleiro e empresário não tem qualquer motivação para baixar os standards, que são a razão da empresa faturar cerca de 300 mil euros por ano.

Além da qualidade, o trabalho duro também faz a diferença. «Na época balnear, levanto-me às 5h00 e deito-me à 1h00. Às vezes, só durmo três horas. Depois, tenho 34 pessoas na fábrica que já trabalham comigo há muitos anos. Esses são também segredos do sucesso», afirma Carlos Cipriano.

Em relação ao futuro, «já não ambiciono muita coisa. Quero dar continuidade à produção e a minha filha mais velha já está a trabalhar connosco». Já sobre uma possibilidade de expansão da marca, o empresário algarvio refere que «não há hipótese com a dimensão que temos». Existe, contudo, um grupo de espanhóis interessado em levar a especialidade para o país vizinho.

«Vamos ver no que dá. O problema deste negócio é que envolve muitas horas de trabalho. É um ritmo que não dá para todos. E essa é também a nossa maior dificuldade» no que toca à mão de obra. «Nós pagamos bem, mas nem toda agente aguenta. Todos temos de abdicar da praia e das festas do verão. Não é fácil», conclui.