A cantautora e performer algarvia Antera estreia-se a solo com Como um Big Bang, primeiro avanço de Delíria, álbum de estreia com edição prevista para outubro.
Natural de Lagos, onde nasceu em 1995, Anaïs Thinon inicia com este tema um percurso em nome próprio, depois de ter integrado o projeto Orfélia.
No novo percurso a solo, Antera situa a sua linguagem entre a música tradicional portuguesa, a canção de autor e a eletrónica, referências que a artista pretende colocar no mesmo território musical, sem as tratar como elementos separados.
A letra de Como um Big Bang reúne imagens provenientes de universos distintos, entre as quais um Tamagotchi, uma cura xamânica, um anjo, um comprimido e um sol que nasce do oceano. O tema aborda a procura de sentido, a fragmentação do indivíduo e a relação entre memória, tecnologia e espiritualidade.
A eletrónica surge como uma nova camada sobre referências da música portuguesa, enquanto a tradição funciona como ponto de partida para uma linguagem contemporânea.
O single foi produzido com Sickonce, Metamito e Diogo Lima. O lançamento nas plataformas digitais estava previsto para o dia 24 de julho.
A canção é acompanhada por um visualizer concebido e realizado pelo videógrafo João Catarino, responsável pela imagem do novo projeto artístico, em colaboração com Daniel Matos.
Delíria abordará temas como a dor herdada, o medo, a depressão, o amor e a possibilidade de imaginar outras formas de existência. No plano musical, o álbum aproxima o cante alentejano, os adufes, a canção portuguesa e a eletrónica.
Antera iniciou o percurso musical através do piano e do canto clássico, antes de desenvolver uma linguagem própria entre a música, a palavra e a performance, e estudou Artes Performativas em Lisboa, Vigo e Berlim.
Com os Orfélia, participou nos discos Retratos Temporais, editado em 2019, e Tudo o Que Move, lançado em 2021. O projeto apresentou-se em salas como o Musicbox e o Maus Hábitos.
Fotos: João Catarino