Paulo Sá, deputado comunista eleito pelo Algarve, visitou o CHA, em Portimão, no dia 9 de dezembro, e preocupado com a falta de médicos em duas especialidades – dermatologia e ortopedia – questionou o Ministério da Saúde.
«O Centro Hospitalar do Algarve tem uma profunda carência de médicos dermatologistas. Efetivamente, há apenas dois especialistas – um no Hospital de Faro e outro no Hospital de Portimão – para uma população de quase meio milhão de pessoas», resumiu o Partido Comunista Português (PCP) nas questões dirigidas ao ministro Adalberto Campos Fernandes.
Esta carência significa que o CHA apenas tem capacidade para acompanhar os casos prioritários. Todos os restantes não têm resposta, o que leva os utentes a terem que recorrer a serviços de saúde privados ou, se não tiverem meios financeiros, a esperar muito tempo por uma consulta, que só será facultada se os casos se tornarem prioritários.
«A situação poderá agravar-se ainda mais a partir do dia 1 de janeiro de 2017. A única médica dermatologista do Hospital de Portimão, já aposentada, tem contrato de trabalho até 31 de dezembro, ao abrigo da norma orçamental que permite a contratação de médicos aposentados, havendo a possibilidade – transmitida à delegação do PCP – de este contrato não voltar a ser celebrado em 2017. A verificar-se este cenário, o Hospital de Portimão ficaria sem dermatologista, privando os utentes do Serviço Nacional de Saúde no Barlavento de cuidados de saúde nesta especialidade», revelou o PCP.
Por isso, uma das questões que o partido colocou à tutela é que medidas, com impacto a médio e longo prazo, foram ou estão a ser tomadas para garantir que os hospitais algarvios possam contar com um número adequado de dermatologistas. Os comunistas querem ainda saber se, a curto prazo, tendo em conta a possibilidade da saída da única médica dermatologista do Hospital de Portimão, que medidas estão a ser tomadas para garantir a manutenção da especialidade de dermatologia neste hospital.
Quanto à ortopedia, o CHA tem 17 especialistas (10 em Faro e sete em Portimão), necessitando do dobro, o que leva a tempos de espera excessivos para consultas e para cirurgias programadas. A falta destes meios tem levado à transferência de cirurgias para estabelecimentos privados de saúde.
«O facto de Faro ter perdido a idoneidade formativa e Portimão ter apenas idoneidade formativa parcial traduz-se numa reduzida capacidade de formação de novos médicos especialistas no CHA», sendo «um sério obstáculo à resolução do problema da falta de ortopedistas no Algarve, já que os especialistas formados na região poderiam optar por aí permanecer», sublinharam os comunistas.
O partido questionou a tutela sobre as medidas que serão adotadas para atrair e fixar médicos ortopedistas no CHA, qual a perspetiva de contratação desses especialistas, que medidas estão a ser tomadas para criar condições para os serviços de ambas as unidades hospitalares.