A forma como a família realiza as funções que lhes são inerentes, pode variar bastante consoante a época, o ciclo de vida da família, a classe social, a cultura, a religião, a etnia e a comunidade na qual está inserida, que pode ser considerada como um subsistema social que exerce algumas tarefas para a sociedade composta por pessoas que atuam em função de uma rede de normas e de papéis, com a finalidade de manter a organização familiar e, desta forma, todo o sistema social.
Nesse sentido na atualidade, verifica-se uma alteração rápida nas estruturas da família, devido, sobretudo, a uma modificação das relações de género e a fatores económicos, políticos e sociais, que levaram a alterações profundas na forma como esta se organizava. Verificamos, na atualidade, o aumento das uniões de facto, da família monoparental, recomposta, transnacional, da percentagem de crianças nascidas fora do matrimónio e o crescimento, também, do número de adolescentes que sofrem desta doença.
A adolescência é, geralmente, descrita como um período conturbado da vida, caracterizado por insegurança e angústia sentidas pelo adolescente e por aqueles que com ele convivem diariamente. E múltiplos fatores podem tornar a pessoa suscetível a problemas, como a frequência de acontecimentos traumáticos, baixo rendimento escolar, ansiedade, fracassos sentimentais, alterações no estilo de vida (divórcio ou falecimento de um dos pais, mudança de escola), pobreza, deficiências no desenvolvimento físico e psíquico, conflitos familiares e as dificuldades próprias do dia a dia (disputas com os colegas, provas escolares, entre outras).
A estrutura familiar é considerada básica, quando existem na família elevados índices de afeto e permissibilidade para o adolescente tornar-se autónomo e independente.
No entanto, também pode estar na origem de situações de stress e discórdia, sobretudo quando a educação administrada pelos pais é marcada por práticas parentais violentas, agressividade, desinteresse, negligência, negatividade, pouco afeto e auxílio, castigos, abuso de autoridade dos pais. Estas levam à formação de personalidades vulneráveis e à dificuldade em manter relações interpessoais satisfatórias no futuro.
Essas formas de educar os adolescentes podem provocar neles dificuldades em conseguir controlar as suas emoções e estarem associadas à depressão na adolescência, a comportamentos agressivos e desviantes.
A adolescência é uma fase, caracterizada por inúmeras dificuldades, a que as famílias tem dificuldades em dar resposta. Nessa perspetiva, um maior apoio aos agregados familiares por parte do estado e da sociedade civil, poderia contribuir para a diminuição da incidência desta patologia que se constitui como um grave problema social e de saúde pública.
*Cidadão