Com ele, a Câmara Municipal irá perder a sua soberana decisão sobre as questões mais importantes, aquelas que deveriam proporcionar desenvolvimento e assim o nosso futuro. Este é, infelizmente, o resultado das lideranças do Partido Socialista na Câmara Municipal de Portimão.
Bastava bom senso, bastava terem ouvido, bastava serem sérios em vez de o parecerem, para se perceber que a adoção da tática escolhida, a do adiamento do problema e da ocultação da dívida, levaria Portimão a uma situação trágica como atualmente vivemos.
Em vez de aplicar medidas para estancar o problema, controlando-o, conforme o dissemos em 2007/2008/2009 e 2010, quando se exigia algo mais do que um Plano de Saneamento Financeiro, o PS em Portimão criou ainda mais condições para uma crise não controlada, colocando em causa a nossa autonomia e soberania.
Nada do que até aqui escrevi é fruto de imaginação mas sim de factos. Esta é uma consequência de opções políticas tomadas livremente pelo PS de Portimão enquanto gestores do Município de Portimão ao longo das últimas décadas.
Essas opções levaram Portimão ao estado a que está. Ninguém ignora que já estamos a efetuar imensos sacrifícios, quer por parte das empresas como por qualquer cidadão que aqui resida. São impostos no máximo e outras taxas que, para além de injustas, conforme o defendi na Assembleia Municipal, são de difícil compreensão.
Acresce a isto um fenómeno de perda de riqueza, perda de volumes de transações, perda de empresários. Ninguém pode ignorar, nem o mais relutante defensor da atual gestão do Partido Socialista em Portimão, que as pessoas, os empresários, os cidadãos estão revoltados e acima de tudo sem esperança.
Os eleitores sentem-se iludidos. Existe uma maioria de Governação que não é a maioria da razão. A esta revolta, a esta desilusão com os Políticos acresce, no caso da maior parte dos eleitores do PSD em Portimão, um sentimento de logro ou traição.
O posicionamento de autarcas eleitos em setembro de 2013, em contradição com a posição oficial do Partido, para além do lançamento de uma confusão nos eleitores e até dos militantes do PSD em Portimão, contribuiu ainda mais para que hoje, a política e a participação pública por via partidária seja tida em desconsideração e entrasse, ainda mais, numa curva descendente de credibilização.
É este o ponto de partida do novo PSD de Portimão que lidero. Um Concelho insuportavelmente endividado, um concelho onde existe perda de riqueza, perda de volumes de transações, perda de empresários Um Concelho onde os eleitores sentem que foram traídos.
Um Concelho onde a palavra esperança está cada vez mais longe, um Concelho onde o PSD, que é o principal Partido de Oposição em Portimão não tem representação na Câmara Municipal.
O poço onde nos puseram é fundo e nós, mesmo tendo recomeçado a crescer de forma eficaz, estamos ainda muito longe da superfície. Lamentavelmente, se houvesse um pouco mais de honestidade intelectual no debate não seria problemático aceitar todas estas evidências. Mas esta é a situação que temos. É com ela e para ela que teremos de trabalhar para alternar o sentido das coisas.
Passa por ter uma atitude diferente, não «empurrar com a barriga» os problemas e sim encarar os problemas e propor soluções para estes. Queremos traçar um futuro diferente para o Concelho de Portimão cuja matriz terá que assentar na pessoa, no cidadão e na sua participação. Devolver esperança às pessoas é coloca-las no centro das políticas, no centro das propostas.
Como já disse, as políticas e ideias do Partido Socialista levaram Portimão até um deserto, este que é de ideias e de soluções, está a ficar mais inóspito. Não se renova, não tem golpe de asa, em suma, não é digno de maioria, pelo menos daquela que todos queremos, uma Maioria de Razão e de Verdade para Portimão!
* Presidente do PSD de Portimão