Hoje estamos a necessitar de novos homens como este. Em muitos locais de trabalho, vive-se a política do medo. O medo dos trabalhadores, que por exigir os seus direitos, são excluídos, são castigados, ou mesmo são despedidos.
No privado muitos são os trabalhadores que ficam de parte só por se sindicalizar. Os patrões receiam que, pelo facto do trabalhador ter acesso a informação, que lhes permite conhecer os seus direitos e deveres, deixem de poder abusar da força laboral.
Já no público, só pelo facto de um trabalhador abrir a boca contra uma situação menos correta fica de castigo, apesar de se tratar de uma ilegalidade, e é ele, por chamar a atenção da situação, que sofre a penalização, em vez dos prevaricadores.
E como funcionam os castigos no público? Coloca-nos em locais de trabalho sem as mínimas condições, pressionam-nos, com cargas psicológicas, difíceis de provar pelo trabalhador, alterações infundadas de horários, no momento atual, até com a ameaça do despedimento, às vezes só por fazer greve. Assim, o trabalhador é penalizado e o prevaricador continua a abusar do poder, penalizando todos os cidadãos, que são quem paga por intermédio dos impostos.
Quando o caso vem a lume, quem costuma ficar com a culpa até são aqueles trabalhadores, que apesar de conhecerem o erro, para não ficarem de castigo como o colega que falou, fizeram o que lhes mandaram.
Já nas Instituições de Solidariedade Social (IPSS e Misericórdias), pelo menos em algumas, não conhecendo eu todas, a questão até é mais grave, pois a precariedade laboral ainda é maior do que dos colegas da administração pública.
Claro que as instituições destas áreas que são bons exemplos podem ficar incomodadas com o escrito, outras na dúvida, se estão a ser escritas estas palavras a pensar nelas, tentam verificar, pressionando os trabalhadores, para conhecer as fontes de informação, o que outra coisa não seria de esperar.
Como se pode ver, embora a realidade que eu conheço se limite a alguns tipos de organizações, possivelmente colegas meus de outros sindicatos, também fariam o mesmo relato a empresas das mais variadas áreas.
Hoje estamos a necessitar de trabalhadores sem medo. Temos alguns trabalhadores, que sendo os melhores do mundo, só conseguem vingar na vida se o fizerem no estrangeiro, visto que em Portugal muitas organizações estão minadas de um poder sujo. E os trabalhadores vão amochando, para terem a possibilidade de colocarem comida no prato dos seus filhos todos os meses.
Os trabalhadores vão, aos poucos, tomando consciência que durante anos falaram mal dos sindicatos, mas que estes são apenas todos os trabalhadores e falar contra os sindicatos é falar contra os trabalhadores. Também nos sindicatos foram cometidos erros, e muitos, mas se os trabalhadores não se unirem continuarão frágeis, sendo sempre penalizados, quer exijam os seus direitos, quer fiquem calados.
Hoje necessitamos de trabalhadores sem medo, que possam lutar contra o sistema, tarefa que não se avizinha fácil, mas que tem que ser feita, não podemos continuar a ser explorados.
*SINTAP