Cristóvão Norte critica plano atual de obras da Eletrificação da Linha do Algarve, afirmando que a ferrovia «dificilmente será alternativa para algarvios».
Depois da visita de João Galamba, ministro das Infraestruturas, a Olhão para se inteirar do desenvolvimento da Eletrificação da Linha do Algarve, Cristóvão Norte afirmou que «se perdeu a oportunidade de fazer um investimento altamente reprodutivo e verdadeiramente transformador».
Isto porque, para o presidente do Partido Social Democrata (PSD) do Algarve, «trata-se de um investimento global de 80 milhões de euros que permitirá ganhos marginais na operação e pouco fará para tornar a ferrovia numa verdadeira alternativa para os algarvios».
Sobre a redução de 25 minutos do percurso total entre Vila Real de Santo António (VRSA) e Lagos, com a Eletrificação da Linha do Algarve, o que poderá também aumentar o número de frequências, Norte diz que se trata de «um passo, mas um passo ainda muito pequeno».
«Atualmente, esse percurso pode durar um mínimo de 2h50m e um máximo de 3h28m e há 16 ligações diárias (oito em cada sentido), com material circulante bastante envelhecido», aponta o social democrata.
«Entrará alguém no comboio em VRSA com destino a Lagos se o tempo de viagem for 2h25, quase o mesmo do que de Faro a Lisboa? Ou vice-versa? Será assim possível ter um verdadeiro inter-cidades regional? Temos sérias dúvidas», questiona ainda.
Segundo Cristóvão Norte, «do meu ponto de vista, e disse-o repetidamente enquanto parlamentar aos ministros Pedro Marques e Pedro Nuno Santos, esta obra não deveria ter avançado sem que fosse acompanhada pelo menos de correções de traçado, designadamente nos ângulos das curvas para assegurar um aumento substancial de velocidade, de modo a ser possível reduzir drasticamente o tempo despendido de Lagos a VRSA».
«Isso terá que ser feito necessariamente», aponta.
Ainda nas suas palavras, «tenho muitas dúvidas que desta forma, tirando os movimentos pendulares curtos, como Faro-Olhão, a ferrovia se afirme como alternativa».
Por outro lado, «impõe-se avançar com a ligação ao Aeroporto de Faro, pois essa ligação é a que pode oferecer massa crítica e sustentabilidade operacional a todo o sistema. Por agora, perdeu-se uma oportunidade de fazer um investimento altamente reprodutivo e verdadeiramente transformador», opina.
Para o PSD Algarve a Eletrificação da Linha do Algarve «é central num plano articulado e coerente de desenvolvimento da região e de mobilidade integrada».
Nesse sentido, «importa ainda recuperar o triângulo ferroviário em Tunes, para que seja possível comboios de e para Lisboa servirem diretamente o Barlavento, e refletir sobre a extensão da via até Sagres e a ligação a Espanha, esta última dependente do governo espanhol e, por isso, motivo de empenhamento diplomático», conclui o social democrata em comunicado enviado hoje à redação do barlavento.