Mudaram os jornalistas, o estilo de escrita, o design, o papel, as novas tecnologias… em 40 anos muito mudou e muito mudará ainda, mas a essência «barlavento» esteve e estará sempre presente, com o rigor, o jornalismo de proximidade, a tentativa de ser melhor, não perdendo a humildade.
Foi com esse sentimento que a primeira publicação saiu à rua no dia 26 de abril de 1975, pelas mãos do seu fundador Hélder Nunes, numa altura em que ainda se vivia a euforia da liberdade.
«Havia a necessidade, nessa altura, de ter meios escritos. Havia jornais que estavam ainda um pouco conotados com o anterior regime que foram desaparecendo», conta o diretor deste semanário.
Nessa altura, o jornal era imprenso a «chumbo», tendo sido o «barlavento» o primeiro jornal a utilizar no Algarve a composição offset, numa fase posterior.
«O jornal era montado aqui em papel transparente e depois seguia para a gráfica na tarifa especial, no último comboio para Lisboa», refere.
Não foram poucas as vezes que os planos tiveram que ser levados pela mão de Hélder Nunes a São Marcos da Serra, porque o comboio já tinha passado por Portimão, relembra.
A sua ligação à comunicação social começou cedo, quando se lançou com um outro colaborador deste jornal (José Garrancho), a fazer no liceu o «Alcalá».
Na tropa, manteve-se na fotografia e no cinema e, quando voltou, após ter estado no mundo da publicidade, a decisão normal foi a de criar um jornal de raiz, de proximidade à região e que olhasse para o Algarve.
«A implantação do jornal deu-se com a venda porta a porta», recorda. Com a evolução, o semanário foi criando uma base de assinantes, crescendo, tendo projeção, contando nas suas edições com diversas entrevistas a nomes conhecidos e decisores da região, bem como outros artigos de importância para a população algarvia, quer na economia, na política, na cultura ou no desporto.
A meio caminho, o jornal ligou-se a uma rádio, da qual se desfez mais tarde. Em 2000, deu-se o ponto de viragem, com a necessidade de injetar capital no jornal. «Criou-se um ciclo novo, com novos parceiros».
Foi nesta fase, cinco anos mais tarde, que o jornal conquistou um dos maiores galardões a nível nacional, atribuído pelo Clube de Jornalistas e, entregue pelo Presidente da República Cavaco Silva.
Na altura, já o júri distinguia este semanário por produzir «uma informação viva e diversificada, atenta à realidade política, económica, social e cultural da região algarvia e, independente dos poderes locais», sublinhando também a «linha gráfica moderna e atrativa».
Nesses novos tempos, já os computadores eram o principal instrumento de trabalho, como continuam a ser hoje. O futuro do jornal impresso, na opinião deste diretor, continuará, pois «os jornais, depois de impressos, são documentos que não podem ser apagados, manipulados, deslocados e tudo o mais que o virtual permite – são um produto responsável, onde predomina a deontologia e os responsáveis são conhecidos. São produtos profissionais, onde o trabalho é feito cara-a-cara. São o registo da história e das estórias com base nos factos. Onde não há o anonimato, porque todos os textos são da responsabilidade de quem os escreve, sendo o diretor o responsável pela sua edição. É um documento que passa de mão em mão, que não esconde segredos, não tem password e tem cheiro, coisa que as máquinas não têm», opina.
O «barlavento» nasceu no chumbo, cresceu no offset e está a viver na era das novas tecnologias. Avanços tecnológicos que permitem uma melhor qualidade e atualidade no produto final, mas que não ameaçam o jornal em papel, em especial os de proximidade, como é o «barlavento», porque, na esfera da globalidade, não se dá destaque, como as publicações regionais dão, às comunidades locais e aos pequenos e grandes problemas existentes em cada cidade, bairro, região ou rua.
Nesta nova fase, após as dificuldades vividas nos últimos anos, o «barlavento» continuará a renovar-se.
Passou a ser uma publicação do grupo Open Media, que detém títulos como o jornal de língua inglesa «Algarve Resident» ou as revistas «Essential» (Algarve, Lisboa, Madeira, Macau, Kuala Lumpur), a «Entdecken Sie Algarve», a «Vivre Le Portugal», a «Clubhouse» ou a «Inside».
Terá uma nova dinâmica, no futuro, onde está também prevista a renovação do site, aliando assim as novas tecnologias ao velhinho papel. A certeza é a de que a atualidade, a proximidade, o rigor e a isenção continuam a ser as mais-valias desta publicação, um barómetro do que se passa na região, com uma marca conhecida a nível nacional.