José Veloso | Arquiteto
Manter contacto com a população e entidades locais e centrar a ação na Assembleia da República na mudança das políticas regionais, no quadro da mudança das políticas nacionais, com vista a alterar o modelo de crescimento de quási exclusividade no turismo, gerador de assimetrias. Orientar um processo de desenvolvimento baseado no saber, investigação e inovação, e no património histórico, cultural e ambiental. Revitalizar os recursos naturais e atividades derivadas, agricultura, pescas e industrias correlativas. Criar nova política de saúde, com reversão do Centro Hospitalar do Algarve e devolver as valências aos hospitais de Portimão e Lagos. Eliminar as portagens na A22. Criar a Administração Portuária do Algarve. Eletrificar os ramais da CP de Lagos e Vila Real de Santo António. Concluir a remodelação da EN125. Valorizar a Ria Formosa e Ria de Alvor.
Dália Paulo | Chefe de Divisão CM Loulé
Que as palavras dos programas não sejam vãs! Esta é a prioridade das prioridades. Segue-se a inquietação permanente de contribuir para dar dignidade aos algarvios, nomeadamente em três áreas que são essenciais, onde é gritante o nível a que chegámos, falo do emprego, da saúde e da mobilidade. Aqui é preciso ter propostas concretas, desafiar o governo (qualquer que seja) a concretizar e a olhar de forma diferente para o Algarve, a perceber que a imagem do país faz-se, maioritariamente, por esta região, que recebe milhões de turistas anualmente. Neste momento de «novo» ciclo quero transpor as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen «seria possível construir o mundo justo», pelo que uma exigência (mais do que prioridade) é que os deputados ajudem a construir um Algarve justo. Utópico? Talvez, mas sem utopia não há transformação.
Josué Marques | Pescador reformado
São tantas que é difícil resumir. Mas refira-se algumas. O Algarve detém a maior taxa de desemprego. Devem focar-se no combate à pobreza e ao trabalho precário. Defender o aparelho produtivo, tendo como pano de fundo as dificuldades do sector da pesca, particularmente a redução de 90 por cento da quota da sardinha para o ano 2016. A poluição que continua a constituir o inimigo público número um do marisqueio na Ria Formosa, e um sério travão ao seu seguro e harmonioso desenvolvimento. Os portos de pesca estão degradados, deve ser dada uma especial atenção ao de Olhão, e à sua requalificação. Deve ser criada uma administração dos Portos do Algarve. É preciso desassorear as barras. É preciso revalorizar as pensões mais baixas e o pagamento integral do subsídio de Natal, e não em duodécimos. Urge o atualizar as pensões, congeladas desde 2010.
Teresa Fernandes | Porta-voz da Águas do Algarve
O Algarve é uma região que reúne características muito específicas de sazonalidade, atraindo os maiores focos de atenção para o período do verão. Mas o Algarve é muito mais, é também a serra e o barrocal com belezas naturais que poucos conhecem, e as nossas gentes. As prioridades dos deputados deverão ir ao encontro daquelas que são as maiores preocupações da população, indo mais além da EN125 e das portagens na A22. Deverão evoluir no sentido de uma maior contribuição para o desenvolvimento regional, enfatizando a criação de políticas públicas que impulsionem um maior desenvolvimento do empreendorismo nos sectores da agricultura, das pescas e do turismo, com o consequente crescimento económico e a criação de emprego de longo termo, nunca descurando as questões alusivas à segurança pública, infraestruturas, saúde, educação e ambiente.
Elidérico Viegas | Presidente da AHETA
Os deputados eleitos pelo Algarve passaram a deputados da nação. Esta realidade comporta, infelizmente, ilações negativas e lesivas dos interesses regionais. O sistema político em vigor, demasiado centralista, retira margem de manobra às iniciativas políticas dos representantes distritais, o que é desprestigiante para os deputados eleitos pelos diversos círculos eleitorais. As lógicas partidárias exigem obediência, quando não subserviência, às suas estratégias políticas e parlamentares. Salvam-se os deputados da força partidária responsável pela governação, já que podem influenciar os decisores políticos na resolução de questões como as portagens na Via do Infante e a requalificação da EN125, assim como a construção do Hospital Central, do Espaço Multiusos/Centro de Congressos e outras infraestruturas de índole regional que ainda não temos.
Jack Soifer | Consultor internacional
Independente dos seus partidos, e ao exemplo do que acontece em outros países, os novos deputados do Algarve devem fazer frente comum a problemas comuns: redução da sazonalidade, combater as especulações e as portagens. Para aumentar o emprego é preciso que hajam mais eventos de março a maio. E também entre outubro e novembro. Os estímulos ao turismo devem ser no inverno, e não quando os hotéis estão cheios para a época alta de sol e praia. A especulação levou a que milhões de potenciais empréstimos a PMEs exportadoras, fossem investidos em 20 mil fogos vazios. As autarquias devem ser mais restritivas com obras que destroem a originalidade dos seus municípios e só trazem turismo barato de massas. As portagens da A22 são excessivas e as filas na EN125 espantam o turismo de qualidade. Custam-nos tempo e dinheiro em acidentes diários.
António Branco | Reitor Univ. do Algarve (UAlg)
Apesar de passarem a ser representantes nacionais a partir da tomada de posse, espero que os deputados eleitos pelo Algarve mantenham uma grande proximidade com a população e com os problemas da região. Um deles é a necessidade de identificar medidas compensatórias para as instituições de ensino superior que, como a UAlg, ficaram financeiramente mais fragilizadas com a execução do memorando da troika, graças ao esforço solidário que fizeram para se adaptarem à violenta exigência orçamental desse programa. O outro consiste em, finalmente, corrigir a injustiça da exclusão da UAlg do Programa Mais Superior, que visa atribuir uma bolsa aos estudantes que escolham deslocar-se dos centros urbanos do litoral oeste para estudar numa instituição de ensino superior de uma região de baixa densidade.
Bruno António | Coordenador da ECOS
Há diversas áreas e iniciativas que considero fundamentais para o desenvolvimento da nossa região. Que vão desde medidas e ações para o combate ao desemprego gerado pela enorme sazonalidade que continuamos sem conseguir reduzir de forma eficaz, à diversificação de serviços, produtos e alvos para o Turismo, ou ao investimento em projetos estruturais, tais como a ligação ferroviária entre o Algarve e Sevilha, e o desenvolvimento de uma estratégia conjunta de promoção da oferta turística entre o Algarve e a Andaluzia ou ainda à criação de um porto de cruzeiros digno de atrair novos públicos. Proponho ainda a melhoria da participação e da qualidade democrática das nossas instituições. Criando mecanismos e estruturas de proximidade entre eles e os cidadãos, aproveitando assim todo o potencial crítico construtivo que temos.







