Bancada socialista «fez um golpe de teatro e foi-se embora para casa, recusando-se a discutir» a proposta de revisão orçamental do município, «evocando o adiantado da hora» ontem à noite, na Assembleia Municipal, acusa a omissão Política de Secção do Partido Social Democrata (PSD) de Faro.
Segundo o PSD, «após quatro horas de trabalhos, continuava a debater-se as mais de 10 moções e recomendações de ordem genérica, quando a presidente da mesa em exercício colocou à consideração das bancadas alterar a ordem e antecipar a votação da proposta de revisão orçamental, antes mesmo de interromper os trabalhos – como é, de resto, prática recorrente na Assembleia Municipal de Faro e aceite por todos os seus membros».
A «alteração à ordem de trabalhos foi aprovada pela maioria dos membros (apesar do voto contra do grupo do PS) e a mesa determinou que se discutisse e votasse a revisão orçamental, conforme havia sido previamente pedido pelo presidente da Câmara» Rogério Bacalhau.
Então, «numa manobra inédita na história democrática do concelho, a bancada dos socialistas fez do voto vencido um golpe de teatro e foi-se embora para casa, recusando-se a discutir o ponto, invocando o adiantado da hora e o facto de amanhã [hoje] ser dia de trabalho».
«Valeu, na circunstância, a determinação da mesa em fazer cumprir a vontade da maioria, possibilitando um debate franco e aberto sobre a proposta que, assinale-se, foi aprovada por maioria – mas sem socialistas na assembleia, além dos três membros da mesa que se abstiveram», relata o PSD.
Assim, «com a incorporação no orçamento dos 3,7 milhões resultantes da gerência anterior, em causa estava também o financiamento estatal para a remoção do amianto, nos estabelecimentos escolares que o município de Faro herdou do governo, um projeto de cerca de um milhão de euros, fundamental para a segurança das comunidades escolares, e que ficava definitivamente comprometido sem esta deliberação em tempo oportuno».
«A irresponsabilidade e a prepotência destes membros socialistas iam deitando tudo a perder, não se importando de prejudicar todos os munícipes e a comunidade escolar muito diretamente, a pretexto do adiantado da hora e da aproximação de um novo dia de trabalho».
Para o PSD, «a democracia é trabalho nobre, em todos os dias e horas. E por isso diz presente, como sempre, sem arranjar subterfúgios e sem se escudar em frivolidades. Nesta circunstância, saudamos também a participação de todas as forças partidárias que se mantiveram na sala e dos três membros da mesa, que de forma responsável e verdadeiramente democrática, fizeram respeitar o sentido de voto dos membros que, assinale-se, recebem senhas de presença para darem voz aos farenses e não para abandonar a sala quando se perde uma votação».
Em nota de imprensa enviada à redação do barlavento, os social democratas de Faro deixam ainda «uma nota final para elogiar a gestão municipal que, num momento de incerteza e de atribulação na vida dos cidadãos e das empresas, é capaz de ir ao encontro das necessidades da comunidade, injetando 3,7 milhões de euros na economia local, provendo esperança na vida de todos e mantendo uma trajetória de progresso real no nosso território.