Projeto «desajustado, insustentável e pouco credível». A Almargem emitiu um parecer desfavorável sobre o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Central Fotovoltaica de Alcoutim cujo prazo de discussão pública terminou
na passada sexta-feira, 4 de setembro.
«Em causa está a construção de uma mega central solar, que implica a ocupação e destruição completa de uma área de serra com 600 hectares e a instalação de cerca de 2,4 milhões de painéis fotovoltaicos, para produção de 220 MW de energia elétrica, mais de quatro vezes a potência instalada na Central Solar da Amareleja», segundo explica a associação ambientalista com sede em Loulé, em nota de imprensa.
Apesar de não esconder seu apoio ao «incremento dos sistemas de produção de energia não dependentes de combustíveis fósseis», os ambientalistas argumentam que «num território como o Algarve, é preferível que se opte por implementar centrais solares mais pequenas, em zonas agrícolas abandonadas ou sem valor conservacionista, perto dos locais de consumo, onde todos os intervenientes possam ter benefícios e os impactes negativos sejam consideravelmente muito mais reduzidos».
Neste caso, segundo a Almargem, a nova central vai «ocupar um território onde a orografia é extremamente acidentada e desadequada para um projeto deste tipo. Além disso, existem aí núcleos de grande importância arqueológica, mas ainda pouco estudados, assim como valores naturais e paisagísticos a preservar. Em especial, está aqui em causa a destruição de vários habitats protegidos por legislação nacional e comunitária, bem como o abate de milhares de sobreiros e azinheiras, espécies protegidas por lei, para além da morte inevitável de muitos milhares de exemplares da fauna terrestre presente no local», denunciam.
Finalmente, os ambientalistas consideram que «a tecnologia prevista» está «já um pouco obsoleta, existindo equipamentos mais eficientes no mercado, capazes de produzir a mesma quantidade de energia, mas num horizonte territorial mais reduzido, o que inevitavelmente iria ajudar a diminuir o respetivo impacte ambiental».
Via Algarviana afetada
Um outro aspeto relevante destacado no parecer da Almargem, «tem a ver com a afetação direta de um sector da Via Algarviana, entre Vaqueiros e as Furnazinhas, o que certamente provocará uma menor procura por parte dos potenciais caminhantes nada interessados em ter de atravessar uma instalação industrial desta dimensão».
Por outro lado, «o investimento financeiro previsto de mais de 200 milhões de euros, destina-se essencialmente à aquisição de equipamento importado, não se prevendo um contributo económico ou social muito significativo para a zona de Vaqueiros, Martim Longo e Alcoutim».
Em jeito de conclusão, «as medidas compensatórias previstas são absolutamente irrisórias e desajustadas face à dimensão do projeto, tendo também existido uma grande carência de informação relativamente aos contornos que o envolvem e, em particular, no que respeita à desconhecida empresa promotora, detentora de um capital social diminuto e que preferiu não dar a cara pelo projeto perante as populações da zona afetada».