O Índice Digital Regional 2025 coloca o Algarve em quarto lugar, embora a região lidere o subíndice das infraestruturas digitais.
Portugal continua a apresentar assimetrias regionais significativas no desenvolvimento da Sociedade da Informação, numa classificação liderada pela Grande Lisboa, segundo um índice digital regional hoje divulgado pela Universidade do Minho.
De acordo com a 12.ª edição do Índice Digital Regional (IDR) 2025, da responsabilidade do Gávea — Observatório da Sociedade da Informação da Universidade do Minho, a Grande Lisboa regista o desempenho mais elevado e continua a distanciar-se das restantes regiões da Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS II) e da média nacional.
Numa nota, o Gávea destacou que o estudo continua a evidenciar «as significativas assimetrias regionais que continuam a imperar no desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal».
Segundo os investigadores do observatório, a Grande Lisboa mantém uma «supremacia esmagadora» sobre as restantes regiões, ao liderar o índice global e três dos quatro subíndices analisados: contexto, utilização e impacto. Apenas no subíndice relativo às infraestruturas a Grande Lisboa é ultrapassada pelo Algarve.
No índice global, a Península de Setúbal surge em segundo lugar, seguida de perto pela região Centro, que ocupa a terceira posição.
A região Norte está no quinto lugar da classificação, atrás do Algarve, que mantém a quarta posição. As regiões autónomas da Madeira e dos Açores voltam a ocupar os últimos lugares, o oitavo e o nono, respetivamente.
A Grande Lisboa, a Península de Setúbal e, este ano, a região Centro são as únicas NUTS II que apresentam pontuações acima da média nacional. Apesar de se ter verificado uma aproximação da generalidade das regiões à média nacional, a Madeira registou um maior afastamento.
«Em 55% do total de indicadores usados na presente edição do estudo, a região da Grande Lisboa obteve a melhor pontuação entre todas as regiões portuguesas, sendo de acrescentar que em 12% dos indicadores o mesmo se registou na Península de Setúbal», afirmou o investigador do Gávea Luís Miguel Ferreira, citado na nota.
Luís Miguel Ferreira acrescentou que as assimetrias regionais no desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal «são uma má notícia» no contexto dos desafios que o mundo e a Europa enfrentam em matéria de transição digital.
O investigador considerou ainda que «é duro reconhecer» que Portugal foi, entre os 27 países da União Europeia, o que menos cresceu entre 2021 e 2025 na utilização de inteligência artificial pelas empresas.
«Mesmo após décadas de políticas de coesão e elevados investimentos, as disparidades não só persistem como tendem a consolidar-se, com poucas variações ao longo do tempo, pelo que o estudo evidencia que o caminho para uma verdadeira convergência territorial no domínio digital ainda está longe de ser alcançado», salientou Luís Amaral, o outro coautor do estudo.
O IDR do Gávea, iniciado em 2014, pretende analisar a realidade da Sociedade da Informação nas nove regiões NUTS II. A edição deste ano utiliza 156 indicadores, mais 43 do que na edição anterior.
Foto: Bruno Filipe Pires