Os «3 Flamingos» de Bordalo II já podem ser vistos em Olhão e chamam a atenção para a proteção da Ria Formosa.
Está pronta a instalação de arte urbana que já conquista todos os olhares de quem passa pela Avenida D. João VI, em Olhão, rumo à rotunda do Cubo, a nascente.
Intitulada «3 Flamingos», é composta por cerca de 300 quilos de resíduos e, ao final da manhã de hoje, recebia os últimos retoques de tinta e spray pelo artista plástico Artur Bordalo, mais conhecido por Bordalo II.
A obra é uma encomenda da Câmara Municipal de Olhão e trata-se de «uma evocação da Ria Formosa», através de uma das espécies mais reconhecíveis da zona lagunar.
Era para ter sido feita na fachada de um edifício do chamado «Bairro dos Índios», mas essa hipótese acabou por ser afastada, explicou o artista ao barlavento.
«Essa parede já tem uma peça do SEN [Dário Silva], portanto não faria sentido pintar por cima, sendo ele um artista local que é uma grande referência» neste meio, reconheceu, num gesto de respeito pelo colega, que também integrou a equipa deste projeto, a convite do próprio Bordalo II.
Assim, acabou por encontrar lugar numa esquina da Avenida D. João VI, onde substitui um antigo mural que mostrava um dos barcos da carreira entre Olhão e as ilhas, associado a uma publicidade a uma empresa de tintas, e que já precisava de ser substituído.
A nova instalação segue a linguagem que tornou Bordalo II reconhecido dentro e fora de Portugal: a criação de animais de grande escala a partir de plásticos e outros resíduos industriais e urbanos.
«No nosso estúdio temos muito material que vamos recolhendo em terrenos baldios, em vários locais. Temos parcerias com empresas que têm este tipo de materiais e também com algumas autarquias, e outros temos de comprar», afirmou.
E é no ateliê do artista que o processo criativo começa. As peças são preparadas antes de seguirem para o local definitivo, onde são montadas e acabadas.
No caso dos «3 Flamingos», Bordalo II refere que a obra é também «uma chamada de atenção» para a Ria Formosa e para a necessidade de proteger um território sensível e sob pressão.
«Fez sentido, porque são espécies de uma zona que vai sendo ameaçada por interesses privados e onde é necessário as pessoas baterem o pé e defenderem a natureza que as rodeia», afirmou.
«Se tudo aqui se transformar em asfalto, resorts e campos de golfe só para os ricos, as outras pessoas deixam de poder usufruir daquilo que é a natureza e das coisas mais bonitas que existem à volta das suas cidades».
Bordalo II admite que a boa receção que o seu trabalho tem tido em vários concelhos do Algarve se possa explicar por este lado interventivo, que liga as questões do ambiente e do território à exposição que a arte pública torna possível.
«Talvez porque a Ria Formosa, de facto, precisa de visibilidade e de quem chame a atenção. Há muita gente aqui que entende que isso é um tema. Talvez por isso estas peças façam sentido», apontou.

Ao barlavento, Bordalo II não esconde que tem carinho e preocupação pela região, até porque, como diz, «tenho uma costela algarvia», através da mãe e da avó, naturais de São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves.
Depois de Olhão, o próximo projeto deverá levá-lo a Ponte de Lima. Antes disso, fará uma obra para a sede da Artitude. E deixa um regresso em aberto: «gosto sempre de ter um bom pretexto para cá voltar», disse.
A inauguração oficial está marcada para amanhã, quinta-feira, dia 9 de julho, às 10h00, com a presença do presidente do Município de Olhão, Ricardo Calé, de membros do executivo e convidados.
A iniciativa integra o calendário das comemorações do Bicentenário da Câmara Municipal de Olhão.





