«O trabalho já está iniciado», pois o documento apresentado já aponta os pontos fortes e o que ainda tem que ser valorizado nos próximos três anos, disse ao «barlavento» o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) Desidério Silva. No entanto, esta não pode ser uma tarefa a realizar apenas pela entidade que gere este sector na região, pois «todos – privados, empresas, autarquias – têm que se envolver em parcerias para valorizar o destino», acrescentou.
Por outro lado, são necessárias verbas extra ao orçamento desta entidade, por isso, «serão apresentadas duas candidaturas a fundos comunitários», uma delas terá como base o plano agora divulgado, com o apoio de entidades como o Turismo de Portugal e a CCDR, enquanto a outra servirá para promover a marca Algarve, esclareceu o presidente da RTA.
O documento aponta, assim, três grupos de produtos – consolidado (sol e mar, golfe e o turismo residencial), em desenvolvimento (negócios, natureza e náutico) e a complementar (gastronomia e vinhos, touring e saúde).
No caso do sol e mar e do golfe, são diversos os galardões e distinções que o Algarve ostenta todos os anos. O turismo residencial é importante, porque origina fluxos de procura ao longo de todo o ano, sustenta rotas de companhias áreas e permite a redução da sazonalidade. O clima, as acessibilidades, o golfe ou a oferta de voos de baixo custo são as principais razões que levam à compra de segunda habitação no Algarve.
Desidério acredita que é necessário «continuar a promover os produtos já consolidados, enquanto se reestrutura e suscita interesse pelos outros».
E, cada vez mais, vão surgindo condições para se implementar oferta diversificada para estes segmentos. «Temos trabalhado a questão do turismo cultural ou de negócios, pois há uma série de espaços que podem ser aproveitados como mais valias», justificou.
No caso da cultura, esta é apontada, pelos dados do Eurobarómetro, como a segunda motivação para a escolha de um destino de férias pelos europeus. O Algarve conta com uma grande diversidade cultural, tendo sido identificados, num estudo desenvolvido pela Universidade do Algarve, 1477 recursos na região.
Já a natureza pode explorar nichos como a observação de aves, o turismo equestre, o cicloturismo, «que movimenta muitos turistas e gera vários milhões de viagens na Europa» ou as caminhadas, que estão em crescimento na Europa, em especial nos mercados que o Algarve pretende atingir (Alemanha e Holanda), argumentou Desidério Silva.
No caso do turismo náutico, as escalas de cruzeiros, os galardões internacionais atribuídos às marinas algarvias ou os novos projetos das empresas marítimo-turísticas são enumerados pelo presidente da RTA. Um dos exemplos pode ser também o «Ocean Revival», projeto implementado ao largo de Portimão, com o afundamento de navios da Marinha, para promover o mergulho subaquático.
No caso dos produtos a complementar há a gastronomia e vinhos (dieta mediterrânica, cataplana algarvia ou a rota dos vinhos do Algarve), o turismo de lazer ou o de saúde (que abrange o turismo médico ou estético, talassoterapia, termalismo, SPAs, climatismo, health & wellness resorts e residências assistidas, com apoio médico e cuidados de saúde).
«Sabemos o que temos de bom e o que queremos promover. Cada vez mais, hoje, o turista quer ir para um hotel e quer encontrar atividades do seu interesse. Já não é só sol e praia. Vem uma família e cada um quer fazer uma atividade. Por isso, o hotel tem que se preparar e mostrar um conjunto de produtos ou programas com oferta diversificada que agradem ao turista», alertou Desidério.
E os números de 2014 não deixam margem para dúvidas quando se fala da importância do Algarve para o sector do turismo, pois atingiu os três milhões de dormidas num único mês (agosto), ultrapassou de novo o milhão de voltas nos campos de golfe e o aeroporto de Faro movimentou mais de seis milhões de passageiros num só ano. O presidente da RTA concluiu, contudo, com um aviso. É necessário investir em eventos e promoção para combater a sazonalidade e continuar a crescer.
Novos mercados têm que ser uma aposta
Canadá, França, Bélgica, Dinamarca, Suécia ou Suíça são os mercados que devem ser uma aposta para o Algarve nos próximos três anos. Há que continuar a promover o destino nos «mercados tradicionais, continuando a cativá-los, mas também é necessário ter em conta mercados como o alemão ou o francês que subiu muito».
Há outros países emissores que se vão implementado, mas que ainda não têm uma expressão tão significativa, como a Bélgica ou Luxemburgo.
O presidente da Região do Turismo do Algarve Desidério Silva é, todavia, perentório ao afirmar que «temos que conseguir captar outros turistas», por isso já avisou «o Governo que devemos atacar o mercados canadiano e o nórdico, pois são turistas que não vêm passar duas noites, mas 15 dias». Em consequência, há que conseguir criar voos diretos e captar novas rotas para desenvolver o turismo na região.