Artista visual Vhils (Alexandre Farto) apresentou a primeira exposição subaquática do país, em Albufeira.
Após cerca de três anos desde a fase inicial do projeto, é inaugurada a primeira exposição subaquática do país ao largo de Albufeira, um trabalho do artista visual Alexandre Farto, de nome artístico Vhils, com os parceiros principais EDP e Câmara Municipal de Albufeira, em colaboração com diversas entidades.
A ideia do EDP Art Reef é criar um ecossistema marítimo, que pode ser visitado por quem se aventurar a fazer mergulho em águas portuguesas, onde se espera que a longo prazo existam várias espécies de animais e plantas.
Para os que preferem ficar à superfície, é também possível ver a exposição a partir de barcos, quando a água estiver transparente.
A coleção, de 13 esculturas, oito de ferro e cinco em betão, a mais alta com 5,3 metros, encontra-se a cerca de uma milha da costa, a 12 metros de profundidade (Coordenadas N 37.06922391, W -8.20990784), e contém peças de centrais energéticas que a EDP decidiu desativar para dar lugar a projetos renováveis.
Todos os materiais foram descontaminados e descarbonizados de forma a serem adequados para estar no fundo do mar e favoráveis ao crescimento de recifes de coral bem como ao aparecimento de formas de fauna e flora marítimas, gerando assim um novo recife artificial.

Este museu debaixo de água, com uma lógica circular de reutilização e aproveitamento, envolve uma extensa pesquisa e o trabalho de cerca de 200 pessoas.
«Existiu um processo de adaptação e foi necessário perceber a limitação do mar e dos materiais que se podem utilizar neste meio», explicou Vhils na apresentação da Exposição Subaquática Art Reef, que decorreu na terça-feira, dia 19 setembro, no Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel Spa, em Albufeira.
A vontade de trabalhar no mar não é de agora, mas a oportunidade para explorar esta vertente não podia ter sido melhor.
«Houve uma tempestade perfeita porque alinhou todo o interesse que eu já tinha com este projeto da EDP, de nome «Descarbonização», e conseguimos fazer um projeto pioneiro que foi um dos mais interessantes e desafiantes porque é mesmo um lugar especial».
Para o artista, esta exposição é uma oportunidade «de criar proximidade [com o meio ambiente], trazer as pessoas ao mar com todas as suas limitações e desafios e ainda de educar em relação ao respeito que devemos ter com o mar».
Mas as vantagens não ficam por aqui, tal como acontece em diversos projetos de arte, Vhils aproveitou equipamentos que já tiveram a sua vida útil a produzir energia para lhes dar uma nova vida.
Foi dada prioridade ao impacto neutro das peças utilizadas e depois à possibilidade de agregarem vida, tendo em conta os «tipos de forças que existem no mar», comentou o artista, ao revelar que teve de aprender a fazer mergulho a uma profundidade até 15 metros, uma experiência totalmente nova na sua carreira.
Outro dos desafios deste projeto foi chegar à «localização ideal» para a exposição, o que Vhils percebeu após ter mergulhado em vários locais.
Foram as alterações climáticas que fizeram, em 2021, a EDP encerrar a central de Sines, no âmbito da sua meta para acabar com a produção de carvão até 2025, passando a dedicar-se a projetos de hidrogénio verde.
Numa altura em que reaproveitar é a palavra de ordem, o quarto maior player de energia eólica no mundo decidiu contar um pouco da sua história, «no fundo de economia circular», reabilitando ecossistemas, com peças «icónicas que foram muito importantes na produção de eletricidade para Portugal», destacou a diretora Global de marca da EDP, Catarina Barradas, ao discursar no evento.

«O desafio era pegar naquelas peças dar-lhe um olhar diferente, um olhar criativo, uma perspetiva distinta. Trabalhámos com uma série de instituições científicas para garantir que tudo o que estávamos a fazer era o melhor para estes ecossistemas», esclareceu Catarina Barradas ao acrescentar que outro dos objetivos deste trabalho é ter «um produto turístico e cultural».
A participação da EDP foi motivada pela possibilidade de causar «impacto» o que, segundo a diretora Global de marca, aconteceu desde o primeiro momento na vida de todos os envolvidos, e que tivesse capacidade de se «regenerar e transformar».
Ao salientar a importância que as peças colocadas no fundo do mar terão para a biodiversidade, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, não pode deixar de mencionar que o EDP Art Reef será também relevante para o turismo em Portugal que, nas suas palavras, «precisa de se diversificar e de enriquecer».
«Albufeira, sendo um destino turístico, passa a ser mais verde e rico a partir de hoje, o que acho ótimo e fundamental», expressou José Carlos Rolo ao desejar que todos usufruam «desta riqueza».
No final das três intervenções, o município de Albufeira ofereceu uma escultura a Vhils e outra a Catarina Barradas, feitas pelo artesão Joaquim Pargana com pedras da praia.
Entre as entidades envolvidas esteve o Turismo de Portugal e o Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg), tendo o EDP Art Reef sido validado pela Direção-Geral de Recursos Naturais (DGRM) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a submersão das peças licenciada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela Autoridade Marítima Nacional.