PSD «não discriminará» regiões pela cor política garante Rui Rio

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À margem da Festa do Pontal, Rui Rio, presidente do Partido Social Democrata (PSD) garantiu ao «barlavento» que se formar governo responderá às carências das regiões sem olhar à demografia partidária.

«Fazer o bem, sem olhar a quem» poderia ser a metáfora popular para sintetizar a mensagem que o líder social-democrata trouxe aos algarvios.

Prudente para não se deixar cair em tentações de pré-campanha eleitoral, Rui Rio foi comedido na conversa que teve com os jornalistas, pouco antes do início da Festa do Pontal, no Largo dos Chorões, em Monchique, no sábado, 31 de agosto.

«Naquilo que for a margem de decisão, obviamente que o PSD vai respeitar aquilo que tecnicamente está visto como as maiores carências e não vai fazer as contas em termos de região onde as câmaras municipais são mais do PS ou do PSD. Isso não é minimamente aceitável e nunca farei. Não sigo seguramente esses princípios», começou por explicar, referindo-se à «gestão transversal» que fez durante os oito anos que esteve à frente da Junta Metropolitana do Porto.

Segundo o líder do PSD, se ganhar as legislativas de 6 de outubro, «a saúde nacional será uma prioridade. Nós temos uma previsão de crescimento do investimento público de 3,7 mil milhões de euros em 2023, em comparação ao quadro de previsão macroeconómico que o Partido Socialista adotou. Teremos uma dotação muito superior, naquilo que é a margem orçamental que o crescimento económico vai permitir. Iremos olhar às carências e não à cor política da região, ou das câmaras, onde as carências se estabelecem», sublinhou de novo.

Cristóvão Norte, deputado e cabeça de lista pelo PSD no Algarve, também marcou presença.

Rui Rio recordou o estudo técnico de 2006 que colocava Faro em número dois na hierarquia final de prioridades para o investimento público no sector hospitalar. Na opinião do líder social-democrata «a inversão das prioridades teve como base o acordo parlamentar de governação» liderada pelo PS com o suporte do Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português.

Rio, no entanto, também não se quis comprometer com a promessa de um novo hospital no sul do país.

«O PSD, ganhando, vai herdar uma determinada situação que pode ser reversível, ou não, em termos jurídicos. Aparentemente, teremos folga para atender o Algarve. É preciso atenção para evitar dinheiro público deitado fora», disse, referindo-se aos compromissos que o atual governo já estará a assumir para o sector da saúde.

Por outro lado, «a mobilidade no Algarve é algo que temos de atender. Quer na requalificação da EN125, quer, à medida que o tempo vai avançado, na possibilidade de irmos baixando as portagens nas ex-SCUT», como a Via do Infante (A22), ou seja, «à medida que a dívida do Estado vai sendo atenuada. Já vi o mapa dessas amortizações financeiras e o pior, ou está a passar ou já passou. Portanto, o país estará mais aliviado nessa matéria. A partir de uma dada altura, as ex-SCUT podem funcionar como uma receita e não como uma cobertura das despesas do Estado. Nessa altura, teremos condições para irmos aliviando» as portagens.

Também «a ferrovia, pelo abandono que teve ao longo de anos, terá que ter prioridade. Nesta lógica, não nos comprometemos antes de ter a radiografia completa do país», concluiu.