Faro vive clima de «esquizofrenia política» entre PS e PSD

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A Comissão Política Concelhia do Partido Socialista (PS) de Faro, em reunião plenária, que teve lugar nas instalações do Ginásio Clube de Faro, aprovou «censura ao edil» Rogério Bacalhau, «por não fazer auditoria às contas e virar a cara às situações de emergência social».

Em comunicado enviado à imprensa, na terça-feira, 12 de fevereiro, o PS Faro informou a decisão de «censurar a atitude do presidente do município que teima em não querer fazer cumprir as deliberações tomadas por órgão competente, para a efetivação de auditoria aos últimos exercícios da Empresa Municipal Ambifaro – Mercado Municipal e assim hostilizar o funcionamento democrático da atividade municipal, colocando em causa o princípio da confiança institucional, transparência e da legalidade».

Os socialistas farenses apontam ainda o dedo ao autarca no que toca à questão dos sem-abrigo na cidade, uma situação «a que o município diretamente também se mostra insensível a dar resposta».

«O edil não pode continuar confundir atos de caridade com acompanhamento social, a autarquia tem a responsabilidade de criar mecanismos de intervenção com respostas imediatas para as situações de emergência, em vez de continuar a fazer de conta que tudo vai bem neste reino de festança».

Por fim, considerando a «necessidade de reorganizar os serviços do município, quer face às novas atribuições de fiscalização que aceitou do governo, por via da descentralização, quer pela decisão de controlar o parqueamento tarifado e ainda por se impor a necessidade de libertar recursos humanos das forças de policia (GNR e PSP) para as ações de melhoria de segurança de proximidade às populações e prevenção criminal», o PS decidiu «propor que a Assembleia Municipal recomende a organização de regulamento próprio para a instituição de um corpo de Policia Municipal em Faro».

Por sua vez, a Comissão Política de Secção do Partido Social-Democrata (PSD) de Faro, «em função da gravidade dos factos apresentados pelo PS», respondeu hoje, sexta-feira, 15 de fevereiro, às acusações, na esperança que «esta esquizofrenia política, tenha cura. A bem de Faro, do seu futuro e de quem cá vive».

Também em comunicado enviado às redações, o PSD frisa que «os partidos democráticos são organizações plurais, com diversos centros e correntes de pensamento, de cujo debate costuma sair uma síntese programática. Tudo normal. No PS Faro, porém, cada cabeça dita sua sentença e os rumos vão sendo desenhados em função de determinada conjuntura e das agendas pessoais de cada dirigente, com notórias incoerências entre si. O último comunicado difundido é bem ilustrativo destas contradições e de uma certa confusão vigente, que importa desmascarar».

«Num ponto, o PS Faro aborda a questão dos parquímetros e entende que é devida uma censura ao presidente da Câmara (Rogério Bacalhau), porque não promoveu uma auditoria à Empresa Municipal Ambifaro – Mercado Municipal. Ora, essa auditoria está atualmente a ser realizada, sendo certo que apenas evidenciará os esforços realizados para viabilizar um mercado que nasceu torto e que pior ficou após a contração, pelo PS, de empréstimos em condições leoninas para o município. Assim, todos os vereadores votaram favoravelmente na Câmara a proposta apresentada pelo executivo do PSD para concessionar a exploração dos parquímetros àquela empresa municipal. Mas isso de nada valeu, pois a mesma acabou por ser chumbada na Assembleia Municipal, onde a bancada socialista invariavelmente vota contra as propostas mais significativas para o concelho, reduzindo a pó tudo o que pode. Neste quadro, impõe-se perguntar: a censura é só para o Presidente de Câmara ou deve também penalizar os vereadores, designadamente os eleitos nas listas do PS, que também votaram favoravelmente esta proposta em reunião de Câmara?», argumenta o PSD.

No que toca à questão da polícia municipal, diz o PSD que «existem posições antagónicas no PS. De um lado, temos um presidente da Assembleia Municipal de Faro que não se coíbe de ir a um concelho vizinho prestar vassalagem ao ministro Cabrita e aos seus camaradas louletanos, sorrindo na audiência enquanto traiçoeiramente se firmava a retirada a Faro do Comando da GNR. Do outro, temos os dirigentes concelhios que, certamente por embaraço, não emitiram até hoje uma linha sobre o assunto. Decidiram sair agora do seu período de nojo, mas o que propõem é tão falho de conteúdo como de oportunidade».

«Pede o PS local uma polícia municipal e um posto da PSP para a freguesia do Montenegro, na esteira de todas as démarches já tramitadas pelo executivo municipal e pela junta de freguesia, que tudo têm feito para alcançar esses desideratos. O que o PS esquece e omite é a preocupante falta de condições de operacionalidade para assegurar esse serviço de proximidade, numa polícia que, em Faro, cada vez tem piores meios, menos recursos humanos e com cada vez menos motivação para fazer o seu trabalho. Portanto, nesta matéria, o que sugerimos ao PS é que, ao invés de procurar colher louros indevidos de um futuro não concretizado, faça ouvir a sua voz para reivindicar mais meios e mais segurança, com mais polícias e viaturas para o nosso concelho», lê-se ainda no comunicado.

Por fim, sobre os apoios às instituições de solidariedade social, «que PS devemos ouvir? O que debita sound bytes populistas, exigindo mais apoios municipais, esquecendo que essa é essencialmente uma obrigação da Administração Central, conforme constitucionalmente consagrado? Ou o PS que ainda nos governa e que, apesar do discurso de pós-austeridade, nada mais faz do que cativar investimentos e protelar pagamentos, colocando em causa o funcionamento da saúde e da rede de apoio social? É preciso rigor e verdade nestas coisas. O atual executivo municipal foi o primeiro a impor regras objetivas nos apoios às associações e neste momento, a Câmara consegue ter o mais elevado e transparente nível de apoio social de sempre. Vale a pena recordar que antes, no tempo do PS, o único critério para atribuição de verbas era o arbítrio do presidente da Câmara e da sua equipa, o que muito custou a quase todos os farenses», conclui o comunicado da da Comissão Política de Secção do PSD de Faro.