Uma singularidade no espaço político do município de Loulé

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Os acontecimentos políticos que tiveram lugar na Assembleia Municipal de Loulé, do dia 26 de junho, irão perpetuar-se no futuro como um dos grandes momentos históricos da nossa vida democrática no concelho.

Perante tais acontecimentos torna-se válido que se diga que a História aconteceu e que houve um Homem que «esteve do lado certo da História», falamos do professor Adriano Pimpão.

Mas para tentarmos alcançar a plenitude destes acontecimentos temos que remontar a 2017 e à recandidatura do edil, Vítor Aleixo.

Foi notório para todos aqueles que acompanham os contornos da política autárquica concelhia que o presidente da Câmara alcança uma vitória de contornos massivos, dando-lhe a mais elevada maioria absoluta de sempre no concelho de Loulé e a rejubilante apoteose dos Socialistas Louletanos.

Até aqui tudo decorria dentro daquilo que seria esperado de um processo de eleições autárquicas, com o respectivo vencedor e com os vencidos a levarem a cabo a sua tarefa de oposição e fiscalização das opções governativas do Executivo em Assembleia Municipal, contudo, as grandes maiorias devem vir acompanhadas de pequenos avisos, tais como: «com um grande poder, advém uma grande responsabilidade».

Responsabilidade essa que deve pautar-se pela transparência da gestão autárquica, não só nas respectivas apreciações e balanços orçamentários das contas do Município, mas também nos necessários esclarecimentos a terem lugar no órgão de suma importância que é a Assembleia Municipal.

Vejamos, se a oposição tinha e tem dificuldades em conseguir resposta aos seus requerimentos da parte do Executivo, nada fazia adivinhar que o mesmo se passasse com o presidente da Assembleia, Adriano Pimpão.

Embora a denúncia levada a cabo por um cidadão em pleno momento de intervenção do público despertasse de forma mais incisiva para esta matéria, e estivesse relacionadas com acusações de plágio, neste caso sendo orientadas para outras diligências, o certo é que a questão relativa à dualidade de critérios a nível da apreciação dos projetos que davam entrada na divisão de urbanismo podem ser inquiridos pela Assembleia Municipal.

Uma possível conduta menos própria, de «má fé» associada aos serviços deve ser analisada e a Câmara Municipal de Loulé enquanto instituição pública que não atenta contra os cidadãos e munícipes, deverá estimular a abertura do Executivo e do pelouro da vereação a disponibilizar os indícios, porque a Câmara é «pessoa de bem».

Quanto à renúncia de Adriano Pimpão, acredito que é pedra basilar na política o respeito pelos compromissos feitos aos cidadãos, cabendo a estes com o seu voto a eleição dos melhores projetos.

E esse precioso voto deve ser estimado e correspondido, exigindo do político uma postura construtiva, agregadora e de diálogo.

Um político que se vê impedido de comunicar com os seus munícipes, que é barrado consecutivamente na sua tentativa de alcançar respostas aos problemas do município, assiste em pleno à paulatina descredibilização da sua palavra e em última análise à sua honra perante o compromisso político, levando para o fundo do poço a sua credibilidade e colocando em causa a sua idoneidade.

Ter-se-á dito que com a renúncia do presidente da Assembleia Municipal de Loulé, Adriano Pimpão, a Democracia no concelho de Loulé ficou mais pobre, enfraquecida e desprestigiada.

Não concordo… a Democracia saiu reforçada, pois é apanágio dos homens bons colocarem-se ao serviço do Povo e só depois ao serviço dos cargos, embora este último dê os mecanismos políticos para o fazer de forma mais assertiva, não deverá significar uma prisão política ou restrição no seu dever político.

Em suma, nada é garantido na política e essa é a primeira lição que as grandes maiorias políticas devem ter presentes, embora se conheça muitos casos de renúncias devido aos mais diversos factores de incompatibilidades, pessoais, empresariais e outros, esta foi uma renúncia de grande coragem política, de um pensamento maior em prol do povo, uma singularidade no espaço político do Município cujas repercussões ainda agora se iniciaram e que prevêem duradouras.

Tenham presente que ao longo da nossa vida política e em sociedade, poucas vezes assistiremos a um momento destes, porque para alguns homens a Honra vale mais do que qualquer Poder terreno.