Sequelas Pandémicas

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Depois do país ter passado por uma classificada «geringonça» governativa, ter-se-á vindo a assistir, gradualmente e a pretexto da pandemia instalada, a uma «desconchavada», porque bicéfala, governação, tendo na respetiva chefia a dupla Costa e Marcelo.

Se, na ação propagandista de tal governação, Costa vai num dia ao mercado, de calças de ganga, comprar peixe, Marcelo há-de aparecer, logo a seguir, de calções azuis, a comprar espinafres numa qualquer mercearia.

Se Marcelo se apresenta na praia de Cascais a dar um mergulho, Costa há-de sentar-se no areal da Caparica a comer um gelado.

Se Costa vai numa noite a um espetáculo «pimba» no Campo Pequeno bater palmas, na noite seguinte há de ser Marcelo a abanar a cabeça nele.

Se às segundas, quartas e sextas Marcelo elogia Costa, às terças e quintas Costa elogia Marcelo, elogiando-se um ao outro, simultaneamente, ao sábado, que ao sétimo dia sempre será dia de descanso e Marcelo, nomeadamente, terá de ir à missa.

Tudo, previamente, anunciado, para que a imprensa esteja presente e não deixe de fazer a respetiva cobertura, bicéfalamente, equitativa.

O tempo, entretanto, passou a ser cada vez menos de luto pandémico e, desconfinadamente, mais de «show» eleitoral, que eleições várias estão à porta, das presidenciais às autárquicas, passando pelas regionais dos Açores.

Num cenário assim, bem se compreenderá que Rui Rio, tido como líder do maior partido da oposição, sinta dificuldade em afirmar-se como tal, já que terá de enfrentar logo dois chefes governativos, em vez de, apenas, um, enquanto BE, PCP e Verdes, depois de haverem carregado, inicialmente, com Costa às costas, correrão o risco de ver o seu «contrato a prazo» com este não renovado.

Isto, enquanto o CDS e IL tenderão a «diluir-se» no Chega e o PAN a desaparecer, por não ter conseguido, em tempo oportuno, que cães e gatos, também, tivessem direito a voto!

E é, ainda, neste inédito cenário político-institucional, que se vê surgir a figura dum «paraministro», com a finalidade de pensar a economia lusa, quando num cenário normal tal caberia ao Ministro da Economia.

Mas como o tempo tem sido de pandemia, não se estranhará que se assista a sequelas pandémicas desta natureza.

PS: Em nome da reativação da economia, bem poderá haver quem publicite o Algarve como tendo das melhores praias e sol do mundo, apesar de só termos o planeta a girar à volta de um, que tal não esconderá o facto de o mesmo se apresentar em último lugar, a nível nacional, no respeitante a Qualidade Ambiental, conforme revelado pelo INE.

O Algarve, em particular, sofre, neste momento, as consequências duma excessiva dependência do turismo, mas isso não impedirá que, mesmo assim, se continue a apostar no surgimento de novos empreendimentos para ele virado, comportando mais uns milhares de novas «camas», seja numa Vilamoura/Loulé, João Arens/Portimão ou Monte da Ribeira/S. Brás de Alportel, ainda que a região, por um lado, nem disponha de uma simples fábrica de colchões para colocar nas ditas camas, tendo de os importar e, por outro, se veja, cada vez mais, confrontada com a escassez de água.

Bem podem as associações ambientalistas ou grupos de cidadãos, civicamente, contra tal se manifestar, que interesses económicos de alguns e expetativa de futuros cargos de direção nos empreendimentos em causa por parte de outros hão-de falar mais alto. Ou não?