Se não mudares nada, nada mudará

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A Internet está no Top 5 de melhores invenções de sempre. Se de um ponto de vista social e da democratização de conhecimento é absolutamente fenomenal, hoje escrevo a pedir que penses na maneira como a utilizas.

Acredito que, como eu, estejas farto de ver partilhas de pessoas escandalizadas sobre qualquer que seja o drama da semana. A meio de agosto era a greve. Antes disso era a Team Strada. Agora são os fogos na Amazónia.

A dopamina que se injeta na corrente sanguínea a partilhar vídeos, imagens e pedidos de rebelião em prol de qualquer uma das causas só serve para o seu partilhador dormir de «consciência tranquila».

É fácil apontar o dedo aos Bolsonaros da vida, dizer que isto não muda e são todos a mesma coisa. E nós? O que é que nós fazemos para mudar? Aqui entra o meu problema com a Internet.

O relatório digital do site The Next Web, mostra que a média de tempo na Internet em Portugal, no passado mês de janeiro, foi de 6 horas e 38 minutos por pessoa. Fazendo as contas, o português passa 100 dias, 21 horas e 10 minutos por ano na World Wide Web.

E desses 100 dias, 21 horas e 10 minutos, quantos são passados a tentar dar um pequeno passo para alterar alguma coisa?

Desses 100 dias, quantos são usados a experimentar uma nova receita à base de fruta fresca e vegetais naturais, em vez da habitual grelha de meio quilinho de cadáveres?

Desses 100 dias, quantos são usados a plantar e a regar uma pequena árvore?

Desses 100 dias, quantos são usados a encontrar sacos de pano que se possam levar ao supermercado, de forma a evitar o plástico nas barrigas dos peixes que depois se levam a o forno?

São coisas das quais sou igualmente culpado, mas se não tentarmos ativamente melhorar todos os dias, seremos cúmplices do suicídio em massa da Humanidade.

Os ídolos de várias gerações, os chamados influencers, tiram fotos com animais, fazem vídeos a chorar, a dizer «vão para a rua manifestar-se malta» , a pedirem para o s fãs deixarem de comer carne, etc…

Mas, novidade (?) , existe um mundo fora do vosso Black Mirror. São vocês que têm dezenas e centenas de milhares de seguidores.

São vocês que basta dizer que vão estar num determinado sítio a uma determinada hora, e pais e filhos vão a correr para tirar uma foto convosco e, mais importante, fazer o mesmo que vocês.

Queres mudar o mundo? Em vez de dizeres «vai» diz «vem», porque eu vou contigo».

E não é preciso ser influencer para isto funcionar: porque todos influenciamos os que estão à nossa volta. Basta uma pessoa querer e fará a diferença. Mas se não mudares nada, nada mudará.


Diogo Simão | Faro Capital Europeia da Cultura 2027 & Shortcutz Faro