Praias caninas respeitam a liberdade individual

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Nos últimos tempos, a designação de Praias para cães em Portugal, tem vindo a ser alvo de controvérsia e continua a dividir a opinião pública, contando-se apenas com a existência de apenas quatro, até esta data.

Iniciemos pela questão – gostar ou não de animais.

A opinião de cada um deverá ser sempre respeitada, nutra o individuo sentimentos de empatia ou desapreço por animais, desde que preserve o bem-estar físico e emocional dos mesmos.

A tentativa de designar praias exclusivas em que os tutores podem fazer-se acompanhar dos seus animais de companhia visa alcançar uma condição geral de satisfação, repare-se: quem gosta da presença de animais poderá frequentar essas praias e quem não gosta poderá usufruir de todas as outras praias onde o acesso a animais é vedada (a grande maioria) – tão simples quanto isto!

Perduram, ainda, outros constrangimentos que têm vindo a ser enunciados, relativamente, à conservação/ limpeza das praias e à exposição excessiva a radiações solares/ calor excessivo a que os animais poderão estar sujeitos.

Respondendo à primeira preocupação, os donos, tal como previsto por lei, têm o dever de assegurar a limpeza dos dejectos do seu animal, preservando os espaços comuns e, ainda, a obrigação de vigiar o seu animal e evitar que este ponha em risco a integridade física de outras pessoas (Decreto – lei 276/01, de 17 de Outubro).

No que toca à segunda questão, a recomendação da Direção Geral de Saúde (DGS) é bem clara e recomenda evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas, e beber muitos líquidos prevenindo desidratações, estendendo-se os mesmos cuidados aos animais.

Aclarada a exequibilidade da existência de praias caninas, passemos para a tão relevante componente psicológica.

Estudos recentes elucidam sobre a importância que a presença dos nossos amigos de quatro patas revela ter no desenvolvimento físico e emocional das nossas crianças, no controle de níveis de stress nos adultos e no apoio emocional aos nossos idosos constituindo, por vezes, a única companhia que estes possuem.

Segundo uma pesquisa efectuada pela Universidade Aberta, no Canadá, ficou demonstrado que os cães reforçam o sistema imunológico dos bebés, já que, analisando as suas fezes foram encontradas, em média, duas vezes mais de bactérias Ruminococcus e Oscillospira do que em bebés que não conviveram com animais.

Estes microorganismos são importantes pois reduzem a ocorrência de complicações alérgicas no futuro. Além disso, também se verificou uma menor incidência de ocorrências de dermatites e asma.

Segundo o Médico Pediatra, Mário Cordeiro, numa entrevista ao Jornal Noticias de Loures «a relação entre as crianças e os cães é instintiva e natural, e um excelente fator protetor para a saúde mental e física dos mais novos e da família. Ter um cão é uma oportunidade de retomar ritmos humanos, de nos divertirmos e de entendermos o que significam as palavras lealdade, reciprocidade, cumplicidade e amizade».

Ter a responsabilidade de alimentar, cuidar, mimar, impor regras, ler histórias (exercitando a leitura) aos animais de estimação, constituem pequenos gestos que promovem estímulos imediatos de satisfação nas crianças, desenvolvendo a sua confiança e auto-estima.

Poderíamos acrescentar a estas inúmeras razões apresentadas até aqui, o esforço económico que representará para o orçamento de uma modesta família portuguesa, de deixar os seus animais de estimação em hotéis no período de férias.

Arrisco-me, mesmo, a considerar que, este facto, poderá constituir uma das várias explicações para o abandono de muitos animais todos os anos, com maior incidência na época de verão; responder, prontamente, aos requisitos dos nossos turistas, já que a verba arrecadada neste sector contribui para a recuperação económica e financeira do nosso país; maior controle e fiscalização das zonas concessionadas ou onde a presença de animais não é permitida.

Cientes de todos os benefícios que estes seres nos proporcionam, apraz-me finalizar este exposto sobressaindo a felicidade que constitui levar a passear um animal de companhia a uma praia.

Quem nunca esboçou um imenso sorriso ao vê-los entrar na água, expressando no seu olhar que «aquele é o melhor lugar do mundo» ou quando desatam a correr para a família humana ao mesmo tempo que fazem deslizar a areia debaixo do seu corpo com a impetuosidade de quem conquistou o mundo?

É tão fácil agradar-lhes e, ao seu redor, toda a sua essência tem a capacidade de desencadear expressões de júbilo no comum mortal!

Ao usufuir de mais tempo de qualidade com os nossos animais, talvez, possamos interiorizar valores que se lhes julgam inatos, tais como, amor incondicional, apreciar tudo o que temos, estimar quem nos rodeia, viver o presente em vez de obcecados com o passado ou o futuro, sermos gratos por todos os milagres que a natureza nos proporciona 365 dias no ano, e todos os anos da nossa vida!

«Eu sou a favor dos direitos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral», Abraham Lincoln.

Susana Santos | Membro da Comissão Política Nacional do PAN e da Comissária Política Distrital de Faro