O Sexo, os motoristas e a greve

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Um artigo de opinião de Diogo Duarte – jurista, formador, investigador e colunista.

Estivesse Freud vivo, e pudesse ele colocar a política portuguesa no divã da psicanálise, certamente que aditaria novos capítulos à sua obra «Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade». Afinal, a greve dos motoristas veio demonstrar que existem outros estágios do desenvolvimento psicossexual.

O Partido Socialista (PS) descobriu que em épocas pré-eleitorais aquilo que mais o excita não é a sua habitual companheira, a Esquerda, mas sim, o patronato e o eleitorado da Direita. E para os seduzir, o PS vestiu-se de cabedal preto, e de chicote na mão, desferia duros golpes aos sindicatos, enquanto sussurrava ao ouvido da Direita: «Gostas do que estás a ver? Gostas de me ver a espancar os sindicatos? Queres-me ver decretar serviços mínimos que são máximos? Queres-me ver a fazer uso da requisição civil? Então, vem ter comigo em outubro!».

Entretanto o Partido Social Democrata (PSD) ao deparar-se com esta situação, distanciou-se do assunto, mostrando não sucumbir ao pecado e à atenção, enquanto desajeitadamente procurava esconder o entusiasmo.

Já o Partido do Centro Democrático e Social (CDS) não resistiu à atenção da carne, e observando o role play que decorria entre o PS e a Direita, pediu para participar: «estou aqui se me quiseres utilizar para alterar o Código do Trabalho. Utiliza-me, vai! Abusa de mim. Quero ser só teu por uma iniciativa parlamentar», disse o CDS ao ouvido do PS, corando ligeiramente.

A greve dos motoristas serviu também para que a Esquerda descobrisse novos fetiches. Depois de anos de luta pelos direitos dos trabalhadores, o Partido Comunista Português (PCP) começou a interessar-se pelas práticas masoquistas, manifestando prazer ao ser espancado.

Já o Bloco de Esquerda (BE) alinhou numa dinâmica relacional conhecida, e que se traduz numa espécie de infidelidade consentida, na qual, um dos parceiros sente prazer ao ver o seu parceiro envolvido com uma terceira pessoa. «Faço isto mais por ele [PS] e pelo futuro da nossa relação», admitiu o BE, deixando cair uma lágrima.

As danças de acasalamento parecem ainda continuar, e sem que haja um desfecho previsível por agora, a verdade é que o PS se relevou, em todas as frentes (e por vezes, por trás), como o verdadeiro macho alfa de todas as relações conjugais e extraconjugais que tem.