Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

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Dir-se-á que ocasiões haverá em que para não se morrer do mal, se correrá o risco de vir-se, contudo, a morrer da respetiva cura. O momento pandémico, atualmente, vivido será uma dessas ocasiões.

Assim, compreender-se-á que se não pudesse, eternamente, ficar confinado em casa, apelando-se à saída dela para se ir ao café, ao restaurante, etc, reativando-se, desta forma, a economia, com salvaguarda de empresas e de postos de trabalho.

Porém, uma coisa é certa, o vírus continua à solta e bastará uma única pessoa por ele contaminada e não identificada como tal, para que, a partir dela, ramificações várias de contágio possam surgir, atingindo um sem número de terceiros.

Por outro lado, enquanto ele à solta se mantiver, não haverá lugar algum que se possa considerar, completamente, seguro, por mais cuidados de higienização havidos em relação a esse lugar.

Diziam-nos, por exemplo, que o regresso a infantários ou escolas era «seguro» e acabaram-se por detetar em tais locais casos de infeção, obrigando, novamente, ao seu encerramento ou, falando-se num Algarve, em particular, «livre de vírus», eis que, de um dia para o outro, se assiste a um aumento de casos de contágio, anteriormente, não verificado!

Ora, é à luz de tais evidências, que nos parece haver uma excessiva e contraproducente publicidade de que haverá segurança suficiente para as pessoas não terem medo de sair à rua, já que levará estas a relaxar, quando o fazem, no respeitante a cuidados de prevenção devidos e a caírem em armadilhas contagiosas como a participação nas mais variadas festas!

O autarca e médico Francisco Amaral, de Castro Marim, tem vindo a alertar, sem que, contudo, segundo ele próprio, o ouçam, nomeadamente no seio da AMAL, precisamente para esse excesso de confiança em que tudo irá correr bem no Algarve durante a época balnear, negligenciando-se medidas de prevenção que deveriam ser tomadas, no que é acompanhado, por exemplo, pela Ordem dos Médicos.

Em suma: nem tanto ao mar (confinadamente), nem tanto à terra (desconfinadamente) ou, se assim se quiser, todos os cuidados com o vírus continuarão a ser poucos e toda a excessiva desdramatização que possa existir em relação ao mesmo, por mais que sejam as boas intenções a ela subjacentes, poderão vir a traduzir-se numa «fatura» ainda mais pesada do que aquela que até hoje já se foi chamado a pagar!

Luís Ganhão | Jurista