Mais um desafio, Maria Joaquina Matos

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A vida é feita de encontros e de desencontros. Acontece no seio da intimidade familiar, na vida profissional, nos percursos da política, na vivência social. Vamos, em conjunto com os que se cruzam nos caminhos que percorremos, construindo relações, desbravando um percurso profissional e, cada vez de uma forma mais sentida, construindo a nossa própria história de vida.

Com este caminhar em que a história se vai construindo, quis o destino que Lagos se erguesse como palco para viver, para trabalhar e para aqui “oferecer” o que de melhor temos.

Foi com esta abertura de espírito e total doação, além de cimentar a vida familiar, que aqui exerci a minha profissão, que me cruzei com colegas de exceção.

E Joaquina Matos, como colega de percurso e por abraçar a mesma profissão, fez parte desta nobre missão – a de ensinar e de preparar o futuro das novas gerações.

Mas para além da docência que nos soube encontrar, fomos ao longo dos tempos criando uma relação que nem as vicissitudes pessoais ou as questões conjunturais conseguiram toldar ou fazer ruturas intransponíveis.

E momentos houve em que foi preciso vincar uma posição e dizer não. Assim foi com a minha função de Vereadora e ela com a de Presidente. Pese embora a proximidade e até a amizade, como a clareza e a transparência, para mim, são valores a preservar, houve momentos em que um projeto conjunto se estava a desmoronar.

Em consciência tive de o abandonar. Foi uma situação difícil a nível pessoal. Mesmo sabendo das suas consequências políticas e de alguma repercussão social. Mas o que tinha de ser feito foi concretizado e nenhum resquício pessoal ou ressentimento foi alimentado. Cada uma seguiu o percurso que achou que deveria ser o seu.

Agora, uma nova fase na vida de Maria Joaquina Matos se está a abrir e, por essa via, está prestes a partir e abraçar novos desafios. Para trás deixa mandato e meio, como Presidente da Câmara, com um estilo pessoal e uma intervenção política a recordar nos tempos futuros.

Se a higiene e a limpeza ainda continuam a ser o nosso calcanhar de Aquiles e se outros sectores requerem implementação e redobrada atenção, ter-se-á de dizer que houve uma maior proximidade, atenção ao cidadão e maior sensibilidade à dimensão social, à educação, à cultura e às nossas raízes.

Mas, para além do que já ficou no terreno, há que apostar nos tempos que aí vêm. E esses, em Lagos, já não serão para Maria Joaquina Matos.

Na hora da previsível “abalada”, já em reta descendente, quero deixar uma palavra de apreço, de incentivo e desejar que esta nova etapa fique a marcar a sua já longa carreira política.

E, obviamente, que a sua intervenção seja determinante sempre que no Parlamento estejam em causa os interesses do Algarve e, particularmente, aqui os das Terras do Infante.

É um desafio que tem entre mãos e que, para bem de todos nós, com determinação o vai desempenhar e, certamente, deixar a sua marca. Por isso, nesta hora de estio, que tão rapidamente passa, aqui fica uma palavra de incentivo e de amizade.

Maria Fernanda de Carvalho Afonso