Faro estagnou!

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Seis anos para uma cidade capital é muito tempo! A meio de um segundo mandato e se até aqui não houve mudança de paradigma, a coligação que muito prometeu (releiam dois textos de candidatura) não só não acrescentou matéria económica e financeira dinamizadora, como olha para a cidade como um palco de festarolas e bailaricos, fórmula que os cidadãos já não acolhem.

O Festival F, uma boa iniciativa, é um produto de consumo local. O resto da cidade não mexe. Com base nos serviços, a única mola estrutural atual, porque a indústria foi liquidada num contexto europeu de exigências, tal como o comércio local com base na chantagem da grande distribuição, o Aeroporto, o Hospital e a Universidade, os seus dividendos como pilares já foram incorporados e, embora havendo uma estratégia, mais vocabular do que prática, virada para a Ria Formosa aproveitando a grande exposição nacional e internacional, as limitações de uma zona húmida protegida e dos meios financeiros públicos, que não podem satisfazer a normal gula dos chamados investidores, não tem trazido as necessárias energias acrescentadas.

Dentro deste parâmetro de natural grandeza e atratividade, um passadiço de acesso pedonal ou mesmo um parque de estacionamento inacabado(?!), não esconde o abandono da Praia de Faro que apesar do aumento substancial de visitantes, fruto do aumento da oferta de alojamento, não tem uma época balnear adaptada a essa realidade ou ao serviço público.
Das calendas do Parque de Campismo ou de casas de banho decentes nem vale a pena falar!

Como farense, tal como a Armação do Atum em palafitas, não me ofendia a experiência de três ou quatro polos de um turismo movimentado por energia solar. Uma parceria com a UAlg e uma consulta popular ajudaria a criar cenários.

O potencial histórico acrescentado do potencial cultural, dadas as multifacetadas instituições da cidade e do concelho não são aproveitados, embora haja uma candidatura longínqua a Capital Europeia da Cultura, facto que não tem garantias… quando só este ano se deu, finalmente, algum valor à Feira do Livro e não necessariamente ao movimento literário do concelho…

Sobre as questões sociais, creches ou lares de terceira idade, habitação social ou apoio às rendas, reinam as miragens! Os equipamentos públicos continuarão a esperar as emergências… os de subsolo em explosões sucessivas e os de superfície em desleixo continuado, enquanto se dá asas à destruição de casas de traça histórica que deveriam ser a imagem de marca de uma cidade de fundações milenares… em nome, primeiro das receitas dos privados e depois das paupérimas finanças públicas!

Essas finanças e os seus desacertos, em lutas políticas intestinas, que envolvem empresas municipais e factos considerados graves para a gestão pública, que se degladiam em assembleia e não chegam à opinião pública, já permitiram que uma parte do estacionamento aliviasse as carteiras de residentes e visitantes. Contradições…

A coligação que gere Faro não tem mais chão para promessas, mas já alicia os eleitores com nove milhões guardados em cofre para ações que começarão somente em tempo de eleições…
Quanto à frente marítima da cidade, outro adiado polo estratégico de crescimento global, parece que se discute em surdina pela mão da Docapesca uma intervenção. Fala-se mais de um remendo de interesse para alguns e não uma visão de futuro, crescimento e sustentabilidade!

Atenção farenses, o desgoverno continua!