É urgente pensar no Amanhã ainda hoje!

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O Futuro não se combate, antecipa-se. Na linha de pensamento de Charles Darwin, não são as espécies mais fortes ou mais inteligentes que sobrevivem, mas sim, aquelas que mais facilmente se adaptam e se ajustam às constantes alterações do contexto e meio ambiente em que se encontram inseridas.

O mesmo se diga em relação aos Estados e às sociedades modernas. O avanço tecnológico e o desenvolvimento da Inteligência Artificial apresentam-se como possíveis disrupções em relação à realidade, tal como hoje a conhecemos. Na área do emprego, a título de exemplo, é expectável que os meios tecnológicos evoluam a um tal ponto que, a maior capacidade de processamento e de produção tornem o trabalho humano totalmente secundário, ou mesmo, dispensável.

Face a esta tendência que se avizinha, torna-se, pois, necessário equacionar um Futuro mais sustentável e sustentado. É assim que, em países como a Suíça, se lançaram várias iniciativas como o projecto Genebra 2050, que reunindo uma série de atores institucionais, académicos, parceiros económicos e do tecido empresarial, municípios, escolas e organizações juvenis, se propõe a discutir medidas bastante concretas para áreas tão fundamentais como a Inserção, Inovação e Interação.

Em perspectiva do lugar cimeiro que a tecnologia venha, de futuro, a ocupar no progresso económico e social dos Estados, torna-se igualmente necessário que Portugal tenha e mantenha um posicionamento sério, coerente e sólido perante tal questão.

Doutra forma, o atraso tecnológico acarreta um verdadeiro risco de estagnação da base social e económica do nosso país. Assim, torna-se tão mais desejável, quanto necessário, que se elabore, desde já, um conjunto de soluções transversais às diversas bases sectoriais, que permita o florescimento de uma sociedade tecnologicamente evoluída e emancipada, onde esse é também o seu maior fator de atratividade e de competitividade económicas e sociais.

Em conclusão, e fazendo minhas, as palavras de Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, creio que seja necessário criar uma espécie de «Ministério do Futuro», sobretudo, do Futuro de Portugal e do seu mercado laboral face à tecnologia e a outras disrupções por ela permitidas.

Diogo Duarte | Jurista, formador, investigador e colunista