Coronavírus: o «remédio» não deve ser pior do que a doença

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Concordo, fundamentalmente, com as medidas que estão a ser tomadas contra a propagação do Corona. Elas têm como grande objetivo evitar que o pico da pandemia em Portugal seja o menor possível.

Isto, com um duplo objetivo. Por um lado, que morram poucas pessoas por falta de tratamento adequado do Coronavírus no Sistema Nacional de Saúde (SNS). Por outro lado, evitar também que morram pessoas com outras doenças por o sistema nacional de saúde.

Porém, o essencial das medidas do governo (como fechar lojas e escolas) não pode prolongar-se por muitas semanas. Senão, o «remédio» arrisca-se a ser pior que a doença por várias razões.

Talvez a mais óbvia é que manter os cerca de 10 milhões de portugueses numa semi-quarentena por semana sem fim tem os seus contras. De certa forma, é como estar numa quase prisão com consequências, nomeadamente, a nível psicológico e do aumento da violência familiar.

Porém, a razão prinncipal parece-me, ser claramente, a economia. Existem estudos recentes que metade do PIB desaparece no período que em que as medidas atuais se mantêm. Se atual situação se mantêm por vários meses torna-se inevitável que uma crise económica crescente e aumento da pobreza matam mais pessoas que o vírus Corona.

Dois efeitos inevitáveis (que vão aumentando enquanto estas medidas se mantiverem) são a diminuição dos impostos e aumento do desemprego que poderão atingir valores superiores à da anterior crise económica. A diminuição dos impostos significa, nomeadamente, maior dificuldade em pagar pensões e investir no sistema nacional de saúde.

Para quando afrouxar as medidas? Claro que o afrouxamento das medidas não nos deve servir de desculpas para, por exemplo, continuar a manter distância social e a lavar as mãos frequente.

Talvez na segunda metade de abril dependendo da evolução meteorológica. De acordo com dois médicos (um especialista em virologia e outra em doenças infeciosas) as estirpes anteriores são sensíveis ao calor e humidade – a atual estirpe não deve ser diferente. Ou seja, quanto mais calor e/ou humidade estiverem, maior dificuldade tem o vírus fora do corpo humano, o que dificulta a propagação.

O vírus deverá começar a ter sérias dificuldades fora do corpo quando a temperatura subirem, por sistema, para temperaturas superiores a 25 graus. Infelizmente, isso está longe de acontecer no momento em que este artigo está a ser escrito.

Volto a insistir que o necessário afrouxamento das medidas do governo não é motivo para nós deixarmos, por exemplo, de estarmos a alguma distância das outras pessoas e a lavar as mãos frequentemente.

Ivo Dias de Sousa | Professor da Universidade Aberta «exilado» em Portimão com familiar