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Após ter tido o Algarve um ano de ouro no panorama do ciclismo nacional, com as vitórias dos algarvios João Rodrigues na Volta a Portugal e Emanuel Duarte na Volta a Portugal do Futuro, há uma interrogação que se coloca neste momento a muitos algarvios. Porque é que foi necessário estes jovens saírem do nosso Algarve para depois brilharem?

Infelizmente a resposta é só uma: atualmente não existe formação de ciclismo no Algarve. Neste momento existe em Vila Real de Santo António a escola do Clube de Ciclismo Amaro Antunes (ainda sem equipas de competição, mas com a intenção de as ter na sequência do processo de captação e formação de Cadetes), além de algumas formações com escolinhas de ciclismo.

É importante o trabalho das escolinhas, mas depois é indispensável dar-lhes continuidade com os escalões seguintes, de competição (Cadetes e Juniores). Serão esses os ciclistas do futuro!

Foi aquilo que durante anos e anos o Clube de Ciclismo de Tavira fez, e bem, mas que sem qualquer explicação acabou. A falta de condições não poderá servir de desculpa pois o clube já viveu momentos muito piores e nunca deixou morrer a formação.

Até porque sempre foi quase sempre a partir dos frutos dessa formação que o clube se afirmou sucessivamente como uma referência da modalidade a nível nacional.

Foi no Clube de Ciclismo de Tavira que nasceram para o ciclismo, entre muitos outros, atletas como Pedro Martins, Pedro Lopes, Nelson Vitorino, Ricardo Mestre, Samuel Caldeira, David Livramento, Walter Lopes, Henrique Casimiro, Daniel Mestre, Ruben Ribeiro, Diogo Ribeiro, Afonso Silva e, claro está, João Rodrigues.

Tantos nomes, tão conhecidos, tão respeitados, todos eles fizeram ou fazem parte do pelotão nacional, assegurando excelentes resultados e trazendo tanto orgulho para o Algarve e para os algarvios.

Por isso, não pode deixar de ser repetidamente colocada a tal questão. Porquê deixar morrer esta galinha dos ovos de ouro do ciclismo algarvio e português? Porquê, meus senhores?

Mas o mais grave é ninguém questionar, ninguém perguntar em alto e bom som. Então há uma autarquia que investe uma quantia elevada no apoio à formação e ela afinal já não existe?

Assim, ficaremos condenados a ver atletas algarvios com grandes qualidades para o ciclismo a terem que procurar outras paragens (casos de João Rodrigues, na W52 FC Porto, de Emanuel Duarte, na LA Alumínios, de Rafael Lourenço, na U.D. Oliveirense, de Daniel Silva, na Sicasal/Constantinos, e de muitos outros), ou então, pura e simplesmente, terem de abandonar o ciclismo, uma modalidade de que tanto gostam, de que tanto gostamos?

Tenho aqui falado do Clube de Ciclismo de Tavira e poderia falar do Louletano, a outra equipa algarvia que se afirma ano após ano no pelotão nacional. Mas sempre existiu uma diferença entre o Tavira e o Louletano, já que enquanto o primeiro sempre teve formação e dela muito beneficiou, o outro, pelo contrário, não teve nem tem essa tradição.

Este devia ser um momento de profunda reflexão, agora que estamos no final da época, para todos os agentes do ciclismo algarvio. Que futuro para o ciclismo algarvio e para os miúdos que tanto gostam da modalidade?

Será que iremos continuar a ter as nossas principais formações a preferirem fazer equipas com ciclistas que nada trazem de duradouro e positivo para os seus clubes?

Esta é uma preocupação de quem gosta de ciclismo e o vive intensamente como eu, e é uma preocupação de muitos e muitos ciclistas (algarvios e não só!) com quem falo muitas e muitas vezes. Por favor, ouçam-nos enquanto é tempo!