BCE encaixa 8 mil milhões: um povo enganado!

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Nesta suposta Comunidade Europeia, um dos seus jornais arautos no país, no caso um que se afirma como o mais vendido, a 2 de abril, publica numa pequena caixa sem expressão de imagem, a meio da página e no meio de outra salganhada, a dar-nos conta que o nosso «amigo» Banco Central Europeu (BCE), encaixou de lucro com a compra da nossa dívida pública entre 2010 e 2017, qualquer coisa como mais de oito mil milhões de euros, dívida pública que voltou a subir para nosso entusiasmo democrático…

Se a CEE nos foi imposta sem consulta, tal como a entrada no Euro com uma cotação igual à do Marco alemão, coisa que o nosso primeiro António Costa desabafou há dias que só favoreceu a Alemanha, e ele sabe bem do que fala porque sempre esteve dentro dos órgãos de poder do partido que nos guiou cegamente, perguntamos nós, os cidadãos contribuintes massacrados com as políticas de austeridade impostas pela dita Comunidade, aliás, até levadas por Passos/Portas para além do prescrito, porque razão andamos a suportar a parasitagem que se esconde por trás deste Banco que deveria ser um regulador e um suporte em consonância com os princípios que a UE inscreve nos pergaminhos? Puras falácias e grande oportunismo é o que revelam as partes nestes negócios!

O que deveria ser uma matéria relevante que elucidasse os portugueses de que as sucessivas políticas governamentais e parlamentares não vão bem e escondem estes saques organizados, estes factos são colocados na distração da leitura e conhecimento. Os poderes só podem sorrir e continuar a missão! E o que têm a dizer os já alinhados candidatos partidários do sistema a uma candidatura europeia? Será este assunto assim tão menor, quanto este volume de dinheiro podia e devia estar a circular na economia de um pequeno país, na minha opinião considerado erradamente periférico?

Só o é na longitude do continente europeu, mas não em riqueza de produção e meios de terra e mar, esses condicionados para o nosso crescimento a pretexto de programas de apoio voláteis. Temos das fronteiras mais antigas mas roubaram-nos a independência nacional e a capacidade de nos organizarmos, até com moeda própria! Ao longo dos mandatos europeus pagos principescamente, quem levantou a voz para este tipo de assalto às nossas Finanças, quando foram as políticas ditas europeias que nos enterraram em destruição do nosso tecido económico.

O que esperávamos de evolução e apoio à inovação resultou em condenação de sectores produtivos que recorreram à importação! Nasceram bancarrotas e juros usurários pagos aos amigos emprestadores! Despoletaram políticas internas de impostos sobre impostos, com desemprego que atingiu camadas menos formadas e expulsou do país dezenas de milhares de jovens formados, dinheiros públicos deitados à rua em proveito de terceiros que agora não revelam intenção de regressar porque o país não lhes dá garantias de viver condignamente.

A cultura, o conhecimento, a investigação, o empreendedorismo de base nacional foram desprezados, ainda que se vejam polos que não fazem uma primavera de país! Serão os candidatos à Europa capazes de perceber que o caminho não é o que estamos seguindo? Duvido!

Luís Alexandre | Ensaísta e escritor