A repetitiva história do «novo cemitério» de Portimão vindo do velho 1993

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Sistematicamente, o Partido Socialista (PS) em Portimão repete a fórmula daquilo em que mais célebre se tem tornado nos últimos muitos anos: anunciar várias vezes a mesma obra que perdura em não fazer. É isto mesmo. Repetir várias apresentações do mesmo, espaçados no tempo, com intuito de que a memória portimonense falhe ou que a cada «nova apresentação» de projetos já velhos consiga transmitir uma imagem de novidade no que já é gasto.

Por estes dias, mais precisamente no passado dia 15 de julho deste 2020, foi aprovado em reunião de câmara a proposta para concessão, conceção, execução e exploração do «Futuro Cemitério Municipal de Portimão». O novo cemitério que era Novo em 1989 e prometido em repetição desde 1993 pelo PS.

O executivo socialista é paradigmático em repetições. Talvez seja a maior virtude de todo o PS de Portimão: Repetir várias vezes o mesmo até parecer que já fizeram o que anunciam várias vezes sem cumprir.

Disse-o, enquanto membro desse órgão, em mais do que uma sessão de Assembleia Municipal de Portimão, que apresentar uma mesma obra várias vezes não faz com que esta se realize de facto. É apenas uma forma de iludir os munícipes e de demonstrar que se falha perante a história que não se apaga.

Não irei elencar todas as repetições de «novas apresentações» do PS. Mas qualquer portimonense conhece alguns dos exemplos que irei demonstrar:

1- A requalificação da antiga Lota de Portimão, que é uma meritória obra que tem apoio político de quem seja justo, foi anunciada em 2016, depois em agosto de 2018 e agora em junho de 2020. Isto é sério?

2- Apresentar em três anos consecutivos a requalificação e pavimentação de algo que só agora em 2020 se vê, na zona ribeirinha da Cidade, é sério?

3- O Parque da Juventude, e que pena é o grande outdoor de entrada não ter datas paras as suas fases de execução de obra (claro que ao PS/Portimão dá jeito que assim seja porque tem pouco jeito em calendários quando mete obras pelo meio), quantas vezes foi anunciado para além de outubro de 2015, novembro de 2018 e agora 2020? E, finalmente, vejamos o cronograma relativo a anúncios do «novo» cemitério municipal.
Quem quiser consultar programas políticos, vê que, além do PSD à data, esta proposta de construção de um novo cemitério municipal de Portimão também fazia parte das ideias do PS no longínquo ano de 1989. Porém, o «novo cemitério» não avança e é novamente prometido pelo PS em 1993.

Continua sem ser feito e é novamente anunciado em 1997. Nada muda.

Apresenta-se o PS a eleições em 2001, ainda sem cemitério nenhum novo, mas com a mensagem política desta obra ser realidade nesse mandato.

É revelado em 2005, pelo mesmo PS que continuava sem fazer nada do que desde 1993 repetia, que era desta e que o cemitério novo já estava numa fase de avanço e estudo. Nada.

De novo, não se faz e novamente é proposta em 2009.

Continua na gaveta e, mais uma vez, chega a ser «quase certo» em 2013.

Mantém-se no programa político do PS em 2017, mantendo-se também a nulidade de execução do PS.

Finalmente, mais de 30 anos depois, chegamos a julho de 2020 e dizem que é desta: O «novo cemitério» municipal vem aí, dizem, mas é uma das coisas novas mais velhas que há memória na nossa cidade.

Oxalá, sobretudo isso, se realize desta vez.

A história não deixa enganar, os folhetos, em papel colorido, de 1993 estão à disposição de quem os guardou e, mais recentemente, o Google ajuda a validar que são várias as repetições do PS sobre esta «novidade» de 1993.

Os ziguezagues sucessivos são a prova da ilusão em que vive o PS, relativamente ao novo cemitério municipal, e que claramente são uma das tentativas de também fazer dos portimonenses iludidos num mundo ilusório e fantasioso.

De real, esse mundo, tem muita falta de obra cumprida do conjunto de promessas de quem lidera os destinos de Portimão.

É uma triste forma de se estar na política e no poder local. Não é de hoje que o PSD o diz, mas, repetindo (algo que o PS conhece bem, repetições), mais vale fazer obra e depois a apresentar e comunicar do que (e já mais que uma vez, inclusive neste mandato autárquico o fizeram erradamente) se comunicar e apresentar uma obra que depois nunca se faz. Não é honestamente correto.

Os portimonenses merecem mais respeito. Não se deve brincar com os portimonenses nesta forma de se fazer política que o PS defende, fez e continua a fazer.

Pense no exemplo de tantos portimonenses que, infelizmente, viveram, e alguns infelizmente já não vivem entre nós, na ilusão de 30 anos de uma obra sempre apresentada e nunca feita? É justo?

O portimonense que em 1989, 1990, vá, pensava vir a ver um novo cemitério tem de esperar até 2020?

Adaptando uma reflexão do filósofo português Manuel Sérgio, amigo e conselheiro do popularmente comentado e por estes dias tão falado treinador de futebol Jorge Jesus, que sobre o desporto deste último um dia disse e pensemos: «quem só sabe de futebol, nada sabe de futebol».

Em política, e neste politiquês pouco verdadeiro do PS em Portimão, podemos adaptar a sua reflexão para algo como «quem só sabe de politiquice, nada sabe de política de verdade».

Poderíamos, em jeito de dedicatória ao PS – que qualquer dia, em Portimão, mais vale mudar para «Promessas Socialistas» ao invés de Partido Socialista – recordar a fábula tão conhecida de Pedro e o Lobo.

Escuso-me a repetir a história, o conto que todos conhecem. Cinjo-me ao essencial: Hoje, já nem acredita nas promessas do PS na cidade de Portimão.

Quanto aos 47 mil metros quadrados, na zona do Malheiro, que irão incluir crematório, afirmar aqui politicamente que sim. Claro que sim! A existir, porque a dúvida em torno deste PS em modo «Pedro e o Lobo» é muito grande, é uma obra que garante a razão política defendida por todos há 30 anos.

Sobretudo, garante uma necessidade grande de um concelho também grande. É bom referir que se é a favor desta obra porque como também dizia Francisco Sá Carneiro, que se fosse vivo teria completado 86 anos de vida este domingo passado, «em política, o que parece, é».

E parece que o PSD alerta há 30 anos para a necessidade desta obra, defendendo a sua realidade, da mesma forma que parece que há 30 anos que o PS promete algo que, sendo sempre poder camarário, nunca fez nada para além de prometer.

Que o «novo» seja feito no já velho 2020 de quem prometeu em 1993 algo tão sério.

Carlos Gouveia Martins | Presidente do PSD Portimão