A evidência da falta de medidas do Governo para a saúde no Algarve

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O Covid-19 chegou ao Algarve e infelizmente poderá afetar aqueles que mais queremos: os nossos filhos e os seus jovens colegas.

Portimão está em alerta, depois de terem sido confirmados pela Direção Geral de Saúde, a infeção por Coronavírus de uma jovem estudante da Escola Secundária Teixeira Gomes e da sua mãe, que é professora  na Escola EB 2,3 José Buisel. As escolas encerraram e no total, já há cerca de 1800 alunos sem aulas em Portimão.

Para criar um quadro mais preocupante, a família que esteve de férias no Norte de Itália no carnaval, tem mais duas filhas menores que frequentam outros estabelecimentos de ensino.

De forma consciente, a família contactou a linha SNS24, ainda antes de se manifestarem sintomas de doença e foram aconselhados a tomar algumas providências quanto à higiene das mãos, mas que poderiam continuar a fazer a vida normal.  

A pergunta que se impõe é: Por que razão não é recomendado pelo SNS24 a uma família que esteve numa das zonas de maior contágio em Itália o período de quarentena domiciliária? Admitindo que possa existir um motivo desconhecido dos leigos, era no mínimo exigido que fosse explicado de forma clara à população a atitude dos técnicos de saúde.

Urge combater o alarmismo, mas esta falta de clareza contribui de forma determinante para um sentimento de alarme e inquietação, junto de toda a população, como o demonstra o abaixo-assinado dos pais dos alunos da Escola Secundária António Aleixo, da mesma cidade, por medo de um eventual contágio pelo Covid-19. Também já estão encerrados, os museus e os pavilhões desportivos.

Mas há outras questões que continuam sem resposta: Ouvimos a algarvia Jamila Madeira, Secretária de Estado adjunta da Saúde, declarar publicamente que o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), que engloba os hospitais de Faro, Portimão e a extensão de Lagos, estava «preparadíssimo» para responder ao surto epidémico.

 Também o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Paulo Morgado, garantiu  publicamente, que o Hospital de Faro estava preparado para ser uma unidade de saúde de referência na validação do novo coronavírus. 

Como deputado do PSD à Assembleia da República eleito pelo Algarve, e devido à discrepância entre as declarações dos responsáveis pela Saúde, nacionais e regionais e a realidade que conheço e não é segredo para nenhum algarvio, exigi medidas imediatas para prevenir e isolar doentes infetados novo coronavírus (Covid-19).

Exigência que fazia todo o sentido, perante o que aconteceu com os primeiros casos na região:foram enviados para Lisboa.

As inverdades do Governo não resolvem a situação e, infelizmente, temos agora a prova de os hospitais do Algarve não terem condições suficientes.

Relativamente à economia, podemos igualmente temer os efeitos que poderão abranger o Turismo e na principal atividade económica da região é inaceitável que inexistência dum manual de procedimentos para a hotelaria e para o alojamento, informação que deveria estar a cargo da Direção-Geral de Saúde e dos responsáveis pela Saúde Pública no Algarve e como tal, hoteleiros, empresas de restauração e outras, não sabem como atuar e não têm orientações a quem recorrer.

Caíram em seco roto, todos os alertas, ficaram sem resposta as perguntas dirigidas à Sra. Ministra da Saúde.

Sobretudo, não há plano de contingência para o Algarve, não há reforço de médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde, falta equipamento como kits de análise e ventiladores e também não há espaços de isolamento para tratamento dos afetados.

Teremos de evitar o alarmismo, mas não se pode esconder a realidade e importa exigir medidas urgentes.

Rui Cristina | Deputado do PSD à Assembleia da República eleito pelo círculo de Faro