A ideia já não é apenas comprar fruta e legumes a produtores locais muito além do horário quotidiano, mas deixar que a atmosfera do mercado se transfigure à noite, numa celebração criativa entre o rural e o urbano, a tradição e a contemporaneidade. Quem o diz é Alexandra dos Santos, designer de comunicação e coordenadora do Mercado Fora d’Horas, iniciativa que surge pelo terceiro ano consecutivo. Desta vez, o conceito inspira-se nos tempos da natureza. «As plantas obedecem a um ritmo natural. O florescimento das flores gera o fruto, que por sua vez nos oferece a semente», metaforiza. Assim, o calendário será temático e de alguma forma, cronológico, de acordo com a proposta: Flor (13 de junho), Frutos (11 de julho) e Sementes (8 de agosto).
A primeira noite «será dedicada às flores em diferentes perspetivas: cultura, tradições e uso. Convidámos floristas e viveiros e será dada uma especial atenção à decoração» de todo o espaço. Aliás, uma das novidades é o «concurso para a banca mais bonita. Terá direito a troféu, para vincular o elo dos comerciantes ao evento», incentivando a continuidade e participação futura. E porque este ano, o Mercado Fora d’Horas será na noite de Santo António, haverá marchas populares pelos Amigos da Pedreira. Outro dos pontos altos será o «retomar de tradições como o saltar à fogueira, praticamente extinta». A pensar nas famílias, serão propostas oficinas criativas com suculentas e orquídeas. A programação para a quarta-feira, 13 de junho, entre as 19 e as 24 horas contempla ainda a visualização de filmes sobre sustentabilidade local, tertúlias, momentos gastronómicos, e um baile popular com músicas do mundo.
Ao longo de todo o evento, e até porque o objetivo é trabalhar com a comunidade, continuam algumas parcerias já estabelecidas como o encontro de Urban Sketchers, e música pelo grupo Laranjinhas do Polo de Educação ao Longo da Vida, projeto educativo da Câmara Municipal de Silves. Haverá ainda uma estreia. Os «Indefenidos», grupo amador de teatro de Silves, que tomará por sua conta a animação de rua.
«Teremos também mais momentos dedicados à gastronomia e duplicamos os showcookings» adianta Alexandra dos Santos. «Teremos, por exemplo, uma mesa da convívio onde qualquer pessoa se pode sentar, trocar dois dedos de conversa e partilhar um momento». Isto porque os mercados devem continuar sempre a ser «espaços propícios para encontros formais e informais, comerciais ou não, de relacionamentos comunitários e adequados ao conhecimento das valências do território».
O Mercado Fora d’Horas é uma iniciativa da Junta de Freguesia de Silves em colaboração com a Associação In Loco, Barroca – produtos culturais e turísticos e Algarve Slow Food. A entrada é livre.
O mais criativo do sul
Segundo Alexandra dos Santos, o Mercado Fora d’Horas tem vindo a afirmar-se enquanto evento de cultura local. Realiza-se no Mercado Municipal de Silves, entre junho e agosto. Tudo começou como um projeto de design comunitário no âmbito de uma tese de mestrado.«Durante anos a minha mãe vendeu neste mercado. Já então, todos se queixavam das fracas vendas. Pensei o que poderia fazer para ajudar, pois queria retribuir à terra onde nasci e onde vivo» explica ao «barlavento». Ainda no âmbito da sua formação, entrevistou todos os vendedores das bancas sobre quais os problemas do mercado e que sugestões tinham para os resolver. «Cheguei à conclusão que o mercado estava envelhecido em termos de vendedores e consumidores e que para a sua revitalização teria de dinamizar uma ação focada numa faixa etária mais jovem, entre os 20 e os 45 anos».