Dia Mundial da Saúde: Combater a Diabetes

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O Dia Mundial da Saúde foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 7 de abril de 1950, aquando da realização da sua primeira Assembleia, aproveitando a ocasião para fomentar a consciência sobre alguns temas chave relacionados com a saúde mundial e a qualidade de vida das populações.

Este ano, esse atributo é dedicado ao Combate da Diabetes, existindo um manancial de razões, riscos e oportunidades que justificam esta escolha. Estima-se que cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo são diabéticas, número que deverá duplicar nos próximos 20 anos; em 2012, a Diabetes foi a causa direta de 1,5 milhões de mortes em todo o mundo; prevê-se que a Diabetes em 2030 se torne a sétima principal causa de morte (projeção que equivale a um aumento em mais de 50%).

A Diabetes poderá tornar-se a maior causa de incapacidade e morte prematura na maior parte dos países, sobretudo pelo aumento do risco das doenças cardiovasculares. A Diabetes carateriza-se pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (glicose) devido a uma diminuição ou ausência na produção da insulina pelo pâncreas, produzindo complicações em vários órgãos e precipitando para a ocorrência de outras doenças igualmente graves.

A persistência da hiperglicemia (nível elevado de glicose no sangue) provoca lesões nos tecidos, com maior evidência nos rins, olhos (retina), nervos periféricos e sistema vascular, com desfecho muitas vezes fatal. A Diabetes é na maior parte dos países desenvolvidos a principal causa de cegueira, insuficiência renal e amputação dos membros inferiores, além de representar um risco muito elevado para a doença coronária e o acidente vascular cerebral (AVC); cerca de 28 por cento das pessoas que sofrem AVCs são diabéticos e 31 por cento dos indivíduos internados por Enfarte do Miocárdio têm diabetes. É uma doença sem cura. Como tal, pode ter uma evolução silenciosa.

Muitas vezes a sua manifestação ocorre já num estado evolutivo avançado, tornando mais difícil a sua abordagem e tratamento. Em Portugal, cerca de 1 milhão de indivíduos tem Diabetes (dados de 2015), prevalência que irá aumentar de forma importante, tendo em conta o impacto do envelhecimento da população portuguesa. Aliás, em idades superiores aos 60 anos, este número ascende a mais de 25 por cento.

A estes valores, já de si assustadores, teremos ainda de ter em conta que a Hiperglicemia Intermédia (alteração da glicose em jejum e/ou tolerância diminuída à glicose) acrescenta a este grupo de risco 2,1 milhões de indivíduos na faixa etária dos 20 aos 79 anos.

Apesar destes factos e indicadores alarmantes, é possível manter qualidade de vida, se o indivíduo respeitar o tratamento e controlar os níveis de glicémia adequados à sua idade, tipo de vida ou atividade. O melhor modo de efetuar este controlo é realizar diariamente e várias vezes ao dia, os testes de glicémia capilar (picada no dedo para medir o «açúcar» no sangue), antes e depois das refeições.

Considerando que é muito frequente a associação entre a Diabetes, a hipertensão arterial e o colesterol elevado, é imprescindível que estes também sejam controlados com regularidade. Independentemente do tipo de Diabetes (1, 2 ou gestacional) o tratamento é sempre multidimensional, e incluiu a terapêutica (insulinas e antidiabéticos orais), a alimentação e o exercício, devendo por isso ser acompanhado por uma equipa multiprofissional, onde se incluem médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas
e podólogos.

Espaço Saúde do Hospital Particular do Algarve