Cirurgia à Válvula Aórtica, cada vez mais segura e funcional

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As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo. O último relatório da OCDE refere que estas doenças foram responsáveis por 40 por cento da totalidade de todas as causas de morte na Europa, cujo valor isolado por doença foi liderado pela cardiopatia isquémica com 18 por cento.

O coração pode definir-se como uma bomba muscular do tamanho do punho que bombeia continuamente o sangue para o distribuir pelo corpo. É formado por quatro compartimentos ou câmaras, duas aurículas e dois ventrículos. Cada ventrículo tem uma válvula de entrada e outra de saída.

As deficiências nas válvulas podem fazer com que não se abram corretamente – o que dificulta a passagem do sangue – situação mais comum e chamada de estenose valvular. Ou então, que não fechem completamente e haja uma perda ou regurgitação – o caso da insuficiência valvular – ou uma combinação das duas, a dupla lesão valvular. Os problemas com as válvulas cardíacas são causados, na maioria dos casos, por alterações congénitas, febre reumática, infeções ou ainda por causas degenerativas dos tecidos associadas à idade.

A válvula aórtica tem como função não permitir que o sangue após ter sido bombeado pelo coração, não reflua para trás (para o ventrículo esquerdo), permitindo que chegue em volume e pressão adequados a todos os tecidos. Na presença da estenose ou estrangulamento da válvula aórtica, o sangue tem dificuldade em passar, manifestando-se esta deficiência em termos de sintomatologia por fadiga, dor no peito, dificuldade em respirar para pequenos esforços ou até desmaio.

A Estenose Aórtica quando presente na infância é considerada uma malformação congénita, enquanto na idade adulta surge por deterioração progressiva, por exemplo por acumulação de cálcio nas paredes da válvula ou após um episódio de febre reumática.

A Estenose Aórtica tem habitualmente uma evolução lenta e assintomática. No entanto, em estados avançados de degradação da válvula, esta condição evolui rapidamente associando-se a uma mortalidade de cerca de 50 por cento dois anos após o início dos sintomas, ou mesmo igual percentagem após um ano, quando coexistem sintomas de insuficiência cardíaca.

As melhorias oferecidas pela medicação são limitadas, além de não evitarem a progressão nem as complicações mais graves. Nesse sentido, até há pouco tempo o tratamento da Estenose Aórtica grave passava pela cirurgia de peito aberto, com a substituição da válvula por uma prótese (biológica ou mecânica).

O Implante Percutâneo ou Transcatéter da Válvula Aórtica veio revolucionar a abordagem desta condição, ao proporcionar a substituição não-cirúrgica da válvula em doentes com Estenose Aórtica grave inoperável ou que apresentavam um risco muito elevado para a cirurgia de coração aberto.

O tratamento consiste, tal como o nome indica, na implantação percutânea (geralmente através de pequena incisão de poucos milímetros na virilha) de uma prótese valvular biológica aplicada sobre um stent metálico. Este procedimento apresenta-se mais seguro, pois não possui o risco do gesto cirúrgico e anestésico, além de permitir uma recuperação substancialmente mais rápida, aliada a um impacto muito favorável na qualidade de vida.

Contudo, esta técnica exige um conjunto de equipamentos que não está presente na maioria das unidades de saúde, fazendo com que grande parte dos doentes que necessitam e beneficiariam com esta intervenção, fiquem vetados desta oportunidade. Aliás, o acesso a este tratamento tem assimetrias consideráveis em toda a Europa, sendo que em Portugal esse desfasamento é ainda mais significativo. No entanto, o Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Alvor tem vindo a desenvolver esta técnica com resultados muito positivos.

Espaço Saúde | Hospital Particular do Algarve