UAlg distingue Isabel Noronha e Pedro Bastos no Prémio Carreira 2019

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Das 17 candidaturas ao galardão que pretende reconhecer o percurso profissional de antigos estudantes, duas destacaram-se: Isabel Torres de Noronha, diplomada em Biologia Marinha e Pedro Bastos, em Bioquímica.

Isabel Torres de Noronha, licenciada no ano letivo de 1995/1996 pela Universidade do Algarve, foi a grande vencedora do Prémio Carreira Alumni, referente ao ano de 2019, atribuído pela academia aos ex-alunos que se distinguem na sua vida profissional.

A entrega de prémios teve lugar na quarta-feira, dia 5 de fevereiro, na sala de seminários da Reitoria da Universidade do Algarve (UAlg), no campus de Gambelas, em Faro.

Noronha é diretora da empresa de consultoria InventAr, líder em áreas de desenvolvimento sustentável, assuntos oceânicos, ambientais e impactos cumulativos. Uma empresa que tem por objetivo produzir conhecimento multidisciplinar e consultoria em políticas.

Devido à qualidade das candidaturas apresentadas, houve ainda lugar para uma Menção Honrosa. Esta, entregue a Pedro Bastos, formado em 2006/2007 e fundador da empresa Nutrifresco, especializada na comercialização do pescado para a hotelaria e restauração de topo.

Nesta edição, depois de uma análise cuidada aos currículos das 17 propostas, o júri decidiu atribuir o Prémio à Isabel Torres de Noronha e a Menção Honrosa ao Pedro Bastos», explicou Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da UAlg.

O vice-reitor deixou ainda explícito qual a importância da cerimónia. «Este é talvez o ex-libris das atividades do Gabinete Alumni e Saídas Profissionais e que visa distinguir e homenagear um diplomado pela UAlg, do primeiro, segundo ou terceiro ciclo. Há mais de 30 anos que há diplomados por esta instituição, o que se traduz em milhares de graduados no mercado de emprego e em profissionais de diversas áreas que, de certa forma, levam consigo a sua formação e o contributo» da academia algarvia.

No uso da palavra Isabel Torres de Noronha, começou por falar na sua passagem pela UAlg.

«O curso de Biologia Marinha e Pescas (BMP) foi criado para resolver problemas, gerir a Ria Formosa e interagir com os pescadores. Portanto, saímos daqui com uma base, com uma elasticidade mental e uma capacidade de adaptação que levavam a dizer que tirei o melhor curso do mundo. Não por ter um submarino e tecnologia de ponta, mas porque me deu as armas para transformar o mundo», recordou.

«Isso levou-me a questionar como poderia melhorar o mar, como poderia interagir com as comunidades para resolver um problema e como é que todos podíamos partilhar a natureza e ao mesmo tempo celebrá-la», disse.

Depois de um outro curso em impactes ambientais, Isabel Torres de Noronha garantiu que focar-se na nova área «conseguiu olhar para projetos públicos com impactos na sociedade, na economia e no ambiente e tentar pensar numa a solução mais equilibrada».

Assim, «consegui várias vezes fazer alterações no caminho daquilo que na altura já era uma perspetiva de desenvolvimento sustentável».

Dez anos mais tarde, talvez o ponto mais alto da sua carreira, «consegui que o primeiro-ministro português fizesse o primeiro discurso sobre oceano na Cimeira de Joanesburgo, em 2002. A verdade é que a primeira vez que se fala em estratégia de mar, em Portugal, é através de mim e de outra aluna desta Universidade, a Marina Silva», revelou.

«É uma honra estar aqui a ser reconhecida por pares por aquilo que considero ser a minha família, mas também por ver que a UAlg tem crescido. É um grande orgulho ver esse crescimento. Voltar à UAlg é voltar a casa. Agradeço o prazer de aqui voltar», terminou.

Também o conhecido empresário algarvio Pedro Bastos, mentor da empresa de peixe fresco de alta qualidade Nutrifresco, com sede em Albufeira, recordou que «o meu projeto é uma paixão de infância. Começou com cinco anos porque os meus pais trabalhavam no sector do pescado e desde sempre que nutri um encanto enorme por essa área».

«Escolhi Bioquímica porque gostava de conhecer o peixe por dentro e a Bioquímica era a ciência que podia dar mais respostas. No terceiro ano do curso interrompi por questões familiares e comecei uma micro empresa com três trabalhadores e cujo o propósito era levar os melhores peixes aos chefs de cozinha. Fui trabalhador estudante e foi um prazer transpor disciplinas e tentar capitalizar esse conhecimento académico num mundo que era o comercial. Tentei comunicá-lo ao mundo da alta gastronomia», resumiu.

Emocionado com a ocasião, Bastos contextualizou que a sua empresa «é líder no nicho da alta gastronomia. Servimos 80 por cento dos chefs de alta cozinha e exportamos para 10 países. Portugal tem um peixe espetacular».

Quanto à menção honrosa, o homenageado garantiu que «é um enorme combustível emocional perceber que a UAlg reconheceu o nosso propósito, o de utilizar os conhecimentos que aprendemos aqui e pô-los ao serviço da sociedade».

Por fim, Paulo Águas, Reitor da academia, mostrou-se orgulhoso com os discursos dos graduados e aproveitou a ocasião para referir que a UAlg é uma marca para os alunos que lá lecionam.

«É por isto que vale a pena andarmos por cá porque é extremamente gratificante ouvir testemunhos apaixonados como estes. Este é um momento que temos anualmente e há mais exemplos como os da Isabel e do Pedro porque esta é uma instituição de talentos», sublinhou o Reitor.

«Devíamos ter mais contacto com os nossos alunos passado uns anos porque se calhar ainda os conseguíamos valorizar mais quando os recebemos. Às vezes não nos apercebemos do talento que está à nossa frente. É gratificante sentir que muitos têm este sentimento de pertença em relação à UAlg e à nossa casa. Repetidamente vemos um conjunto de ex-alunos a fazerem referência a esta instituição. Espero que muitos outros nos possam acompanhar e que os vossos discursos os inspirem», considerou ainda o magnífico.

Para este prémio, «toda a comunidade académica pode propor nomes fomentando este prémio e podem ainda existir auto-propostas. Depois temos um júri, constituído pelo Conselho Alumni, no qual estão representadas todas as unidades orgânicas, através dos seus diretores», explicou Saúl Neves de Jesus.

Além disso, «temos também os alumni que são mentores há mais de três anos como forma de valorizarmos a dedicação ao programa Mentoria. Com base num conjunto de elementos, o júri delibera em função das candidaturas propostas», concluiu o vice-reitor da UAlg.