Curso de Medicina no Algarve «valeu a pena» elogiou Manuel Heitor

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Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior esteve hoje em Faro numa visita de trabalho conjunta com outros membros do governo. Reconheceu que a região está, nesta altura difícil, a colher os frutos da criação do curso de Medicina na Universidade do Algarve (UAlg).

Ao lado de Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e Jamila Madeira, secretária de Estado adjunta e da Saúde, Manuel Heitor esteve hoje em Faro, no campus de Gambelas da Universidade do Algarve, no âmbito de uma visita de trabalho.

A passagem dos governantes pela capital algarvia serviu para operacionalizar o projeto «COVID + 70» que arrancou ontem em Portimão, e que tem por objetivo realizar 6000 testes ao Coronavírus nas estruturas residenciais para idosos da região do Algarve, iniciativa dinamizada pelo Algarve Biomedical Center (ABC). Para isso, foi assinado um protocolo entre aquela entidade e o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social.

No uso da palavra, Manuel Heitor, reconheceu «o trabalho extraordinário, espetacular, que foi aqui feito nos últimos dias, em tempo recorde e que em boa hora está a ser propagado a todo o país».

O ministro referiu-se também ao centro de testes à COVID-19 montado no Parque das Cidades, entre Faro e Loulé, e aos Call Centers que juntam estudantes do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da UAlg com profissionais de saúde, em Faro, e que estão a reforçar a capacidade de resposta nacional da linha SNS24.

«Não posso deixar de reconhecer o trabalho da UAlg na pessoa do Reitor Paulo Águas, mas também do ABC e da liderança que Nuno Marques tomou ao longo destes dias, juntamente com a equipa da escola de Medicina, a professora Isabel Palmeirim, do Centro Biomédico, dos médicos e engenheiros que implementaram os protocolos médicos para fazer os desenhos das zaragatoas mobilizaram uma equipa única e inédita, que rapidamente implementou os protocolos que foram entretanto certificados», disse.

Na verdade, o ABC anunciou estar a produzir zaragatoas em parceria com uma empresa de Loulé, assim como o líquido necessário para conservar estes suportes de recolha de material para análise da COVID-19, e também solução desinfetante alcoólica nos laboratórios da academia algarvia.

«É neste contexto que nos devemos sentir orgulhos e agora replicar esta experiência em todo o país. Já está a ser adaptado em Coimbra, no Porto, em Bragança, Vila Real, Castelo Branco, Covilhã e conseguiremos montar uma rede certamente, em estreita articulação com o Ministério do Trabalho naquilo que diz respeito à recolha de amostras em lares e, como não podia deixar de ser, em estreita colaboração com o Ministério da Saúde, que coordena toda esta operação», sublinhou Manuel Heitor.

«Mas há neste momento, quanto a mim, quatro mensagens importantes que estando numa universidade não podia deixar de dizer. Primeiro, a ciência cura. Aquilo que estamos aqui a ver é um investimento na ciência. Vale a pena investir porque de facto a resposta que hoje dá é o conhecimento acumulado que permite curar pessoas e prevenir esta pandemia», enumerou.

«Segundo, a tecnologia previne. De facto, aquilo que tem sido a capacidade tecnológica portuguesa desde a produção de zaragatoas a reagentes. Estamos a abrir uma produção de sistemas de ventilação e ventiladores e equipamentos de proteção individual. Hoje temos uma capacidade tecnológica quer ao nível de empresas, centros tecnológicos e instituições de engenharia e tecnologia que estão efetivamente a mobilizar a sua capacidade», elencou o ministro.

Manuel Heitor elogiou ainda «a mobilização dos estudantes. Percebo que muito deste esforço está a ser feito com estudantes da Universidade do Algarve e com estudantes de Medicina em particular, que são voluntários».

O ministro reconheceu que a UAlg foi também «pioneira em mobilizar todos os docentes e estudantes para garantir que o sistema de ensino e aprendizagem não era interrompido durante a propagação da pandemia».

«Estando aqui na UAlg não posso deixar de dizer que, 10 anos passados da criação do Curso de Medicina nesta Universidade valeu a pena. Hoje temos a certeza que a Medicina no Algarve é um projeto sério, é para continuar, é para ser reforçado e se possível tem de ser duplicado noutras universidades que ainda não tenham o ensino da Medicina», sublinhou.

O ministro deixou uma palavra de agradecimento «a todos aqueles que fizeram acontecer, desde os investigadores, aos docentes, na pessoa da professora Isabel Palmeirim, e de todos aqueles que acreditaram neste projeto e transformaram o ensino da Medicina no Algarve numa realidade efetiva, sem o qual hoje não estávamos aqui nesta realidade verdadeiramente transformadora».

Manuel Heitor afirmou que hoje, no Algarve, há «capacidade científica e biomédica para ajudar a população a prevenir e a combater a pandemia. O Algarve está de parabéns».

«O ABC é hoje uma referência nacional nos centros académicos portugueses, e nesta simbiose entre investigação, ensino e cuidados de saúde, mostra que a ciência, de facto, cura», concluiu.