barlavento – A monarquia poderá voltar a ser regime em Portugal? Porquê?
João Rocha e Silva – A Juventude Monárquica do Partido Popular Monárquico acredita firmemente que sim. Repare, em 105 anos de República, tivemos uma Primeira República que foi o regime político com mais crimes políticos em todo o século XX e que faliu o país, levando o mesmo à chamada Segunda República, que foi uma ditadura. Temos agora a Terceira República que já levou o país à falência três vezes. Ora, fazendo cálculos simples e até poupando a República ao incómodo de falarmos da Segunda República que tanto os incómoda e que tantas vezes tentam esconder, descontando aos 105 anos de vida os 48 anos de ditadura, obtemos 57 anos de uma suposta República em democracia. Se voltarmos a fazer um cálculo simples, vemos que, ao dividirmos 57 por 4, número de bancarrotas da República, obtemos 14, o que nos indica que, em República «democrática», temos uma bancarrota a cada 14 anos. Acha que os portugueses podem tolerar muito mais tempo, um regime que já deu mais que provas que não presta, nem serve os interesses de Portugal? Não nos podemos esquecer também que a República foi imposta aos portugueses, nunca foi sufragada. O seu único sufrágio foi um crime hediondo, quando meses antes, em eleições livres, os republicanos tinham tido apenas 7% dos votos nas urnas.
b – No espaço político monárquicos e republicanos estão em lados opostos. É possível e desejável o debate entre ambos? Porquê?
JRS – O debate é sempre desejável. O que separa monárquicos e republicanos é mais a forma como vemos o Chefe de Estado, e as vantagens e desvantagens de termos como Chefe de Estado um Rei ou um Presidente da República. A questão democrática do regime nunca esteve em causa. Os debates abrem sempre novas perspetivas e novas ideias. Acho que, antes de mais, é preciso que todos nós, independentemente de sermos monárquicos ou republicanos, tenhamos a plena consciência que não existem regimes perfeitos.
b – Numa juventude que vai perdendo valores será possível cativar jovens para a causa monárquica? Porquê e em que moldes?
JRS – A República é um regime político que se alimenta a si mesmo, por causa das mentiras que são contadas. Com facilidade se abre um manual de história e se encontram mentiras e omissões graves da história de Portugal. Mais complicado do que cativar jovens para a causa monárquica, é desfazer preconceitos existentes sobre a monarquia. Mas o mais admirável, é que tendo uma conversa séria com os jovens, sobre as vantagens de termos uma Monarquia em vez de uma República, facilmente se consegue mostrar quais as vantagens para o país, e são inúmeras. Prova disso, é que em 2013, a Juventude Monárquica do Partido Popular Monárquico foi reativada e num espaço de dois anos, consegue ter representação em vários concelhos do país e nas Regiões Autónomas.
Quanto à perda de valores, essa é mais uma herança da República. Os portugueses só se lembram do seu país por causa do futebol. Nada mais os aproxima de Portugal. Esta é a nossa triste realidade. A república «adormeceu» a mente dos portugueses. À República nada é exigido. O regime vai passando impune ao longo dos tempos, vai apagando aos poucos a nossa história dos manuais, a pouca que fica está cheia de mentiras ou omissões, vai apagando aos poucos a nossa cultura. Basta ver agora este novo (Des) Acordo Ortográfico. Este é um autêntico atentado à nossa cultura. Os portugueses estão contra, mas mesmo assim a República impõem-no. Aliás, a República está habituada a impor tudo aos portugueses. Impôs-se enquanto regime, já que foi imposto por uma minoria a quem Fernando Pessoa chamou «Esfarrapados Mentais» e impõem-se constitucionalmente já que, segundo a Constituição da República Portuguesa, não é possível referendar o regime! Em nenhuma Monarquia Europeia, é proibido o referendo ao regime!
b. – A Juventude Monárquica de Tavira organiza um debate sobre o presente e futuro do Algarve. O Algarve tem futuro? Como?
JRS – Sim, tem futuro. O problema é a política aplicada na região por estes governos que nada ajuda ao seu desenvolvimento. Defendemos que em Faro haja uma Faculdade de Direito em vez de «empurrar» jovens para Portimão ou Lisboa. Defendemos ainda um Pólo Universitário em Tavira mais direcionado para a economia de mar e agricultura. O papel da AMAL em nada ajuda a região, o Algarve tem falta de uma política de desenvolvimento económico a longo prazo. A agricultura é algo que podemos e devemos industrializar na região. A criação de um projeto regional de afixação de postos de trabalho para os jovens em colaboração com empresas e a Universidade do Algarve é o caminho.
b. – Qual a sua opinião sobre o estado atual da educação?
JRS – A educação tem perdido imenso ao longo dos últimos anos. Desde 1974, que vários foram os modelos educativos que os vários ministros da Educação tentaram aplicar em Portugal. Muitos ainda nem sequer tinham tempo de atingir o efeito pretendido e já estavam a ser alterados por outro modelo, muitas vezes sem grandes perspetivas práticas. Sobrava a grande perspetiva teórica. Falharam todos.
Ao passo que os modelos educativos iam falhando, ao passo que os valores se iam perdendo e ao passo que a figura do professor foi perdendo força nas escolas, a sociedade portuguesa foi mudando. Hoje temos uma sociedade com os valores completamente trocados, ou em alguns casos completamente inexistentes. O desinvestimento na educação que se assiste por cá, não pode nunca afetar a construção de uma sociedade com valores e princípios. Mas infelizmente é o que temos assistido nos últimos anos. Valores, princípios e literacia passaram a valer números. E quando números se sobrepõem ao mais importante de uma sociedade, o caminho só pode ser o do desastre.
b. – Qual a análise que faz ao atual sistema de saúde no Algarve?
JRS – A saúde do Algarve é um problema que tem preocupado toda a estrutura política da região e a JM Tavira não foge à regra. A ideia que defendo é o Centro Saúde de Tavira passar a ser o Hospital Central do Sotavento Algarvio e que seja ampliado para esse fim e que responda as necessidades da região, que venha a libertar camas e espaços no Hospital de Faro. As políticas seguidas nos últimos anos só tem agravado a saúde algarvia. A resposta passa por uma descentralização regional de recursos, ou seja, o Hospital do Barlavento, Hospital de Faro e o então Hospital do Sotavento. É um desafio que deixamos ao Governo e à AMAL.
b. – Regionalização ou autonomia do Algarve? Porquê?
JRS – Nesta questão falo também como membro da Coordenação Regional do PPM. A autonomia do Algarve é algo que já defendo há muito tempo. Defendo a necessidade de um regime governativo regional à semelhança do que vigora nas ilhas da Madeira e Açores. Dada a história do Algarve acreditamos que essa é a via mais democrática para a região. É importante no meu ponto de vista os algarvios decidirem o destino da sua região. Este é um projeto do qual não iremos abrir mão. Colocamos ainda em causa a «ocupação republicana» no Algarve, uma vez que ainda somos um Reino e nunca o Algarve teve referendo para anexação à República portuguesa.
b. – Como avalia o trabalho desenvolvido pelo Presidente da República e Governo? Porquê?
JRS – Um Presidente da República nunca pode desenvolver um bom trabalho. Em primeiro lugar, um Presidente da República ao contrário do que se diz, não é escolhido pelos portugueses. É escolhido pelos partidos políticos. Todos sabemos que sem o apoio de um partido político o candidato não consegue vencer as eleições. E aqui começa logo um grande problema. Como pode um Presidente da República que emana de um partido político, ter a independência que o cargo exige? Como pode representar todos os portugueses quando está ligado a um partido? Mais. Como pode um Presidente da República ser independente de interesses externos, quando tem as suas campanhas pagas por partidos e grupos económicos? Todos sabemos, por exemplo, que o BES deu dinheiro para as campanhas do Dr. Cavaco Silva. O que fez este? Sabendo há mais de 6 meses que o banco em causa estava numa crise sem precedentes, um mês antes do escândalo BES estourar, em uníssono com o primeiro-ministro, disse em alto e bom som que o BES era um bom banco para investir. Agora veja o desespero de milhares e milhares de pessoas que acreditaram nas suas palavras. Aparecem quase todos os dias nas notícias. Mais. Repare que recentemente, o Dr. Sampaio da Nóvoa, que desesperadamente procura o apoio do Partido Socialista, afirmou que se fosse Presidente da República à data da «crise do irrevogável», tinha demitido o governo. Cavaco Silva, segundo muitos, não o fez porque estava a proteger o seu partido. A pergunta que nós fazemos é esta: Onde fica Portugal no meio destes jogos e joguinhos de bastidores republicanos?
Quanto ao Governo, temos que ser frios na análise. Obviamente que havia um acordo assinado pelo PS, PSD e CDS que tinha que ser cumprido. Achamos elementar cumprir as nossas obrigações perante os credores. Essa questão não é sequer discutível. Para tal, sem dúvida que a austeridade era obrigatória e necessária.
A questão é que mesmo sabendo desse documento tanto PS como PSD decidiram mentir aos portugueses durante toda a campanha política. Qualquer português minimamente conhecedor da realidade do país e do próprio documento que foi público, não podia acreditar em nada que o PS e o PSD diziam, mas parece que em Portugal se criou uma lógica em que, só e possível ganhar eleições se se mentir, porque se não as pessoas não votam.
Voltando um pouco mais ao início, embora a austeridade fosse necessária, a Juventude Monárquica do Partido Popular Monárquico, não pode aceitar em nenhuma circunstância que, se tenha ido primeiro «aos bolsos dos portugueses», e não aos do próprio estado. O Estado tem tantas gorduras, e vai acabar a legislatura tão ou mais gordo do que quando começou. Isto é compreensível num país sob austeridade? A reforma da Administração Pública falhou redondamente. Foi feita apenas a nível das freguesias. E a nível autárquico? Não houve coragem? Mais uma vez, parece-nos que há sempre interesses mais importantes que o próprio país. Temos a balança comercial a crescer muito à custa das exportações, mas não temos o consumo interno a acompanhar esse crescimento. No fundo isto é uma bolha de ar. Rebentando voltamos ao mesmo. Continuam a faltar indústrias e investimento. E sem isso é impossível o país dar a volta. A taxa desemprego, dizem, continua a baixar, mas mais uma vez isso é outra mentira. Primeiro, porque todos sabemos que milhares de jovens emigraram, e segundo, porque a maioria dos jovens que trabalham, fazem-no sob contratos de trabalho precários, ou sob a égide dos famosos estágios profissionais remunerados ou não remunerados, que mais não servem do que iludir a taxa de desemprego temporariamente. Estamos convencidos, que bastava regressarem ao país todos os jovens que emigraram desde 2011 e o país teria uma taxa de desemprego mais alta do que em 2011. Resumindo, a única vantagem deste governo foi realmente ter conseguido com que a troika saísse do país. O problema é que fez isso sobre o lema «custe o que custar» e a verdade é que não se olhou a meios para atingir os fins. A verdade é que perdemos a classe média, é que as famílias compram menos, investem menos e isto é uma bola de neve.
Ainda nenhum governo teve a coragem de olhar de frente para a questão demográfica e dizer abertamente aos portugueses: «este sistema de autossustentabilidade falhou. Temos de pensar num novo sistema», e não nos parece que seja este governo também a ter essa coragem.
E é preciso ter coragem de dizer isto aos portugueses! Os jovens não podem ser sufocados de impostos, não podem hipotecar a sua independência ou até mesmo a sua descendência em prol de um sistema de Segurança Social caduco.