O passado e o presente do património modernista de Faro, dá o mote à segunda edição do The Modernist Weekend, de 9 a 12 de novembro.
O passado e o presente do património modernista, em Faro, dá o mote para a conferência que pretende discutir o legado de Manuel Gomes da Costa, à boleia da segunda edição do The Modernist Weekend, de 9 a 12 de Novembro.
A segunda edição do The Modernist Weekend, uma co-organização de The Modernist e do município de Faro, quer refletir sobre a preservação do património modernista existente no território e exaltá-lo através de obras de artistas internacionais.
Richard Walker, Sander Patelski e Michel Figuet assinam a mostra «Explorações Modernistas», que inaugura no dia 9 de novembro, na Fábrica da Cerveja, com entrada gratuita.
O pintor inglês Richard Walker, que já se tinha juntado à primeira edição do The Modernist Weekend, integra a coletiva, com peças criadas para o evento de inspiração modernista e desenhou também dois tours temáticos. Com uma vasta obra em colecções públicas e privadas, já expôs no Reino Unido, Alemanha, Itália, França e Estados Unidos da América. Atualmente, vive entre Londres e Faro.
O designer gráfico e artista digital Sander Patelski, de Amsterdão, com uma obra que ganhou vida durante a pandemia de COVID-19 e que vai beber inspiração, sobretudo, ao estilo modernista. Sem formação em arquitetura, o seu portfólio reflecte a sua paixão pela obra de grandes nomes como Charles and Ray Eames, Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Kisho Kurokawa e Juan O’Gorman. Os seus desenhos de fachadas ficcionais, composições abstractas e interiores impressionam pela mestria do uso da cor e da luz.
Junta-se a eles, o fotógrafo Michel Figuet, que vive entre Paris e Bruxelas, um entusiasta do preto e branco e co-fundador do laboratório Imaginoir, com um amplo trabalho na indústria música, responsável por inúmeras capas de álbuns da elite francófona, destacou-se também como fotojornalista de viagens, colaborando, entre outras, com a americana Condé Nast Traveller, Vogue, Marie-Claire, Elle, Elle Decor e Architectural Digest.
No dia 10 de novembro, às 17 horas realiza-se a conferência «Património Modernista: passado ou presente?», na Fábrica da Cerveja.
O painel é constituído por Carlos Oliveira Santos, doutorado pela Universidade Nova de Lisboa, foi professor na Faculdade de Arquitetura, pioneiro na área do marketing social em Portugal, e é autor de 30 livros publicados, dos quais vários sobre os projetos de Oscar Niemeyer, o último, em 2022, «Um Niemeyer é Sempre um Niemeyer»; e de Adam Stech, especialista e investigador em design e arquitetura modernista e curador do criativo OKOLO Architecture, de Praga, na República Checa.
A fechar o painel, a jornalista Stacy Suaya, colaboradora de publicações como Los Angeles Times, New York Times T Magazine, Wallpaper, Architectural Digest, sobre viagens, arte, design e arquitectura.
Entre sexta-feira e domingo, as visitas guiadas revelam desde as influências da Bauhaus à arquitetura de Manuel Gomes da Costa (1921-2016), que se podem encontrar na cidade de Faro.
A escola de arte e arquitetura Bauhaus desencadeou na Alemanha, em Weimar, um movimento, que, entre 1919 e 1933, mudaria a imagem das cidades do início do século XX, tornando-se um dos símbolos do Modernismo.
O arquiteto algarvio, natural de Vila Real de Santo António (VRSA), estudou arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e foi um dos grandes impulsionadores do Modernismo Algarvio, assinando, mais de 300 projetos, na área geográfica de Faro, entre 1953 e 2002, desde equipamentos públicos a habitação.
Entre os locais a visitar, destacam-se a Casa Gago. Edificada em 1955, foi uma encomenda de Alfredo Gago Rosa, um emigrante que fez fortuna na Venezuela, que ao regressar à sua cidade natal quis construir uma casa inovadora nos materiais, moderna na forma e na relação entre o interior e exterior.
Na altura, Manuel Gomes da Costa, com 34 anos, foi-lhe recomendado por um amigo por ter potencial para fazer um projeto original. A obra tornou-se numa das mais icónicas da cidade de Faro.
The Modernist Weekend passa também pela Casa 1923, caso único de Arte Nova com elementos decorativos Art Déco, em Faro, recuperada pela PAr – Plataforma de Arquitetura, em 2022, e aberta ao público como unidade de alojamento local, este verão.
A antecipar a abertura ao público da Alto House, as visitas guiadas permitem conhecer o edifício projectado por Gomes da Costa, em 1964, para um hotel com 15 quartos, ampliado, posteriormente, na década de 80 do século XX e que, agora, volta a ser actualizado, mas mantendo os traços distintos do desenho original.
As visitas e os passeios estão limitados a 25 participantes e é necessária inscrição prévia.
A participação nas Open Houses custam 10 euros e têm a duração de 30 a 45 minutos; os walking tours, duram entre 1h30 a 2 horas, custam 20 euros por pessoa.
A fechar a programação da segunda edição, no dia 12, realiza-se o Hotel Aeromar 70’s Dinner & Party. O edifício modernista praticamente intacto, com vista para a Ria Formosa, convida a uma viagem à década de 1970. O jantar será antecedido por uma leitura de Adam Stech. A participação custa 35 euros por pessoa.
Angélique e Christophe de Oliveira (Angie e Chris), co-organizadores do programa The Modernist Weekend a par do município de Faro, vivem no Algarve desde 2018 e são proprietários do The Modernist, no nº 27, da Rua Dom Francisco Gomes, obra de Joel Santana, de 1977.
O The Guardian chamou a Faro a «Palm Springs de Portugal», sobretudo, pela arquitetura modernista que ainda se encontra na capital algarvia.
Mais informações podem ser pedidas por telemóvel (96 151 05 88) ou email ([email protected]).