O Partido Social Democrata (PSD) de Faro destacou o silêncio dos socialistas acerca do «cheque prenda» do governo a autarquias da mesma cor política, que é considerado «um escândalo que justifica explicações», em comunicado, na semana passada.
Pouco tardou para o Partido Socialista (PS) de Faro responder na mesma moeda. Em nota enviada às redações, os socialistas ripostam defendendo que o «fim do mandato autárquico deixa concelhia do PSD Faro com medo de perder os empregos na Câmara e nas empresas municipais»
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Assim, o PSD de Faro volta indignar-se por o governo não ter respondido ainda às acusações de favorecimento às autarquias socialistas, com «um generoso cheque oferta por alturas do Natal, que vai permitir a estas câmaras realizarem obra nos seus depauperados municípios, em ano de eleições».
Aproveitando a oportunidade a concelhia social-democrata, liderada pelo deputado Cristóvão Norte, referiu que esta situação é o contrário do que aconteceu com Faro.
«Por aqui a autarquia tem feito uma gestão financeira responsável e dispõe de verbas para aplicar. A única coisa que pediu foi que o governo homologasse o Plano de Investimentos Municipal no valor de 3,46 milhões de euros, a aplicar em obras emergentes para o concelho». O pedido acabou por ser negado.
«A 31 de outubro, o vereador/deputado/presidente da concelhia do PS chegou mesmo a, em plena reunião de Câmara pública, puxar dos galões para afirmar com inusitada altivez que detinha suficiente poder de influência para resolver o problema junto do governo a contento das populações de Faro. Semelhante compromisso assumiu o presidente do PS/Algarve», relatou o PSD de Faro.
A estrutura laranja afirma mesmo que, até aqui nada soube destas diligências e «do vereador, nem a sombra se lhe vê, tão poucas são agora as ocasiões em que dá a cara na Câmara onde tem mandato», lê-se no mesmo comunicado.
Acusando o PS de Faro de remeter-se a um «ensurdecer silêncio», o PSD acredita que «assim, calados, estão a caucionar as escandalosas oferendas de Natal do governo a longínquas e endividadas autarquias socialistas e, ao mesmo tempo, a tentar branquear» que o governo «montou um bloqueio político em torno da autarquia farense, por meras razões de agenda eleitoral».
Em jeito de resposta, o PS de Faro afirmou que a concelhia desta oposição, «na esmagadora maioria empregada na Câmara de Faro e nas empresas municipais», despertou a nove meses do final do mandato autárquico, com medo do fim dos empregos pagos pelo erário público.
Liderados por Luís Graça, os socialistas farenses questionam «onde estava o PSD quando o governo de Passos Coelho parou as obras da variante norte a Faro?», «porque ficaram calados quando o governo da coligação que integram em Faro parou as obras de requalificação da Escola Secundária João de Deus e da Tomás Cabreira?» ou «porque se remeteu o PSD/Faro e o seu presidente de Câmara ao silêncio quando o anterior Governo acabou com a delegação regional do INEM em Faro?».
«Estará a claque local do PSD Faro com receio que o julgamento democrático dos farenses lhes interrompa os contratos e avenças pagas pela Câmara de Faro, pela Fagar, pelo Mercado Municipal, pelo Teatro Municipal e pela Ambifaro?», acrescentam ao rol de perguntas provocatórias.
A estrutura socialista explicou, como aliás, o «barlavento» já tinha noticiado a 17 de novembro, que o «presidente da Câmara de Faro sabe que não existe nenhum impedimento para a realização do plano de investimentos municipais, porque o Orçamento de Estado para 2017 aprovado na Assembleia da República em dezembro, com o voto contra do PSD e do CDS-PP, permite que os municípios abrangidos por programas de saneamento e reequilíbrio financeiro possam este ano lançar as obras e investimentos previstos».
Os socialistas contra-atacam dizendo que o que deveria ser explicado por Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, é porque razão não foi o PAEL resgatado mais cedo, como foi proposto pelos autarcas do PS, e porque fixou taxas máximas de IMI e de IRS, quando o OE permitia pela primeira vez baixar as taxas pagas pelos farenses.
«Na semana que o governo do PS entregou cerca de meio milhão de euros de juros de mora de IMI à Câmara de Faro, o que o PSD deveria explicar é porque o presidente local e deputado votou na Assembleia da República contra o OE que permitiu passar o IMI de 0,5 para 0,45, um orçamento que devolve autonomia ao poder local e que viabiliza a concretização de todo o plano de investimentos municipal – aprovado por unanimidade pelos vereadores da Câmara de Faro», concluem.